Quinta-feira, 24.07.08

 

Todos conhecemos o famoso “penso, logo existo”, de Descartes, resultado de longas e profundas meditações filosóficas.
 
Hoje também se pensa muito e há até quem se constitua em associação criada para o efeito, como é o caso do Clube dos Pensadores.
 
Todos os dias, a toda a hora, vemos a nata da nossa sociedade, em todas as áreas de especialidade, a debater e dissertar sobre tudo e mais alguma coisa.
 
Ultimamente a ordem do dia é o estado da nação e não há cão nem gato que não discorra, de forma profundamente conhecedora, sobre o que está mal, porque está mal e porque estará mal.
 
Entrevistas, mesas redondas, debates, programas de rádio e TV, crónicas, artigos de opinião, reportagens, não há político/especialista/pensador que não dê um arzinho da sua graça.
 
E fico perplexo, a sensação que me assalta é que a esmagadora maioria se entretêm a debitar o mesmo tipo de trivialidades que qualquer comum mortal, com um mínimo de informação e bom-senso, despeja nas conversas de café.
 
Pergunto, não deveria haver uma diferença entre a nata e o comum?
 
Descartes pensou muito. Porém, digo eu, fê-lo desnecessariamente, já que bastaria sentar-se sobre um simples alfinete para chegar à mesmíssima conclusão. Tudo bem, a frase poderia não ter saído exactamente igual, antes algo como ‘dói-me, logo não estou morto’, eventualmente iniciada com um sonoro ‘foda-se’, que é exactamente o que me apetece dizer quando ouço e leio tanta banalidade.
 
Eles pensam, logo existem. Resta saber se isso trará algum bem àqueles a quem só dói.
 
 
Música: Construção – Chico Buarque


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