Sábado, 23.02.08

Três da tarde, o trabalho decorria normalmente, toca o telefone e ela atende.

 

- Sim…?

- …

- Ai meu Deus!!

- …

- Mas quando é que isso foi??!!

- …

 

A voz angustiada tinha-nos posto a todos atentos, mas preocupação a sério foi quando ela desligou, deslizou para o chão alcatifado e rompeu num pranto convulsivo.

 

Que drama teria acontecido? Quem teria morrido?

 

Levantámo-la do chão, tentámos animá-la, mas ela estava inconsolável e mal conseguia falar.

 

- É-é-éra o me-me-meu ma-marido… Buaaaaaá…

 

- Mas o que foi, mulher, que aconteceu??!!

 

- O me-me-meu Piruças fugiu… Buaaaaaá…

 

- Como??!!

 

- O me-me-meu cã-cã-cãozinho… Buaaaaá… Sal-saltou o muro… Buaaaá.

 

Curiosamente, enquanto a mim me ocorria vergastá-la, todos os outros lhe davam miminhos, com a preocupação estampada nos rostos.

 

Foi-se embora a correr, ainda em prantos.

O Piruças voltou a casa algumas horas depois.

No dia seguinte chegou ao trabalho com a cara macerada e um ar exausto, não tinha dormido nada, “só de pensar que o meu Piruças podia nunca ter aparecido”.

E continuou a ser mimada e confortada.

 

Fico a questionar-me. Se um dia morrer alguém, ela sobrevive? A reacção de toda a gente não foi tão exagerada como a dela? Dar guarida a este tipo de reacções é fazer bem às pessoas?


Serei eu um gajo mau? Serei? Serei??!!

 

 

Música: Emily  Haines  -  Dog


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