Segunda-feira, 13.10.08

 

A forma como sentimos a arte depende sempre do nosso estado de espírito no momento.
 
Se estamos fragilizados, apaixonados ou tristes, por exemplo, as emoções que nos assaltam ganham muitas vezes uma dimensão inesperada.

 

Mas o belo é sempre belo e há coisas tão envolventes que me deixam a ofegar.

 

Renato Zero / Momix - I migliori anni della nostra vita

 

Os melhores anos da nossa vida

Penso que cada dia é como uma pescaria milagrosa
E que é bonito pescar suspenso numa macia nuvem rosa
Eu como um cavalheiro
E tu como uma esposa
Enquanto no lado de fora da janela
Se alça em voo levantando a poeira
Uma tempestade
 
Será que nós dois somos de um outro distante planeta?
Mas o mundo daqui parece uma armadilha
Todos querem tudo apenas para depois descobrirem que é nada
Nós não faremos como os outros
Estes são e serão para sempre…
 
Os melhores anos da nossa vida
Os melhores anos da nossa vida
Abraça-me forte porque nenhuma noite é infinita
Os melhores anos da nossa vida
Abraça-me forte porque nenhuma noite é infinita
Os melhores anos da nossa vida
 
Penso que é maravilhoso ficar no escuro abraçado e mudo
Como pugilistas depois de um combate
Como os últimos sobreviventes
Talvez um dia descubramos que não nos perdemos nunca
E que toda aquela tristeza na realidade nunca existiu
 
Os melhores anos da nossa vida
Os melhores anos da nossa vida
Abraça-me forte porque nenhuma noite é infinita
Os melhores anos da nossa vida
Abraça-me forte porque nenhuma noite é infinita

Os melhores anos da nossa vida

 

 

 


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antídoto às 22:46 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Segunda-feira, 22.09.08

 

A moral vigente é uma espécie de caldo requentado que muitos sorvem em público, com um sorriso recatado e vomitam, aliviados, quando ninguém está a olhar.
 
E, concordem em coro, é bom perceber a evolução das mentalidades e a liberdade individual em que se traduz.
 
Mas, e há sempre um mas, o facto é que muita gente se sente perdida e desequilibrada nas inter-relações desta nova selva sem parâmetros.
 
Há uma minoria em crescendo, ainda mais homens que mulheres, que aproveitam regaladamente o manancial de sexo fácil e destroçam, sem quaisquer pruridos, os que, não sendo como eles, se deixam atrair para a sua teia. A emoção alheia é-lhes absolutamente indiferente e nada os impede de pintar mais uma cruz na fuselagem.
 
E há a grande maioria que sente e que sofre com os reveses das relações, que vai ficando céptica, descrente, amarga, se arma de pseudo indiferença e vai passando paulatinamente para o outro lado, onde nunca consegue estar bem, descontraída e serena, porque insiste em afirmar e viver algo que, simplesmente, não faz parte da sua natureza.
 
Tenho o meu historial de cruzes na fuselagem, raramente me apaixonei ao longo da vida e/ou senti necessidade de ter uma namorada.
 
A pulsão sexual está sempre presente, mas se é só isso tem que haver um limite e, para mim, esse limite é a dor alheia.
 
Sempre procurei olhar mais além,  ver também pelos olhos de quem me interessava e, batam-me, pelos dos terceiros que poderia vir a pisar.
 
Sou um monógamo em série? Pode-se dizer que sim. Mas sempre fui leal e verdadeiro com as minhas parceiras. Se o sexo é tão fácil, podemos fazer opções e gozá-lo mais ao lado, tentando não desequilibrar e magoar aqueles que apenas querem amar e ser amados.
 
Podem-lhe chamar moralismo hipócrita, eu acho que é apenas sensibilidade humana.
 
E quando amo, amo! E essa é toda uma outra história…

 

 

 

Boomp3.com

antídoto às 00:04 | link do post | comentar | ver comentários (11)

Quinta-feira, 17.01.08
A ciência vai dando passos lentos mas seguros no conhecimento do cérebro humano, já sabemos que andamos todos a toque de hormonas e que as nossas emoções são em grande parte explicadas por elas.
 
Os homens são todos uns brutos, infiéis, indignos de confiança que só pensam com o pénis?
Resposta: um adulto do sexo masculino produz cerca de vinte a trinta vezes mais quantidade de testosterona (responsável pela libido e pela agressividade) que o organismo de um adulto do sexo feminino.
 
Eta, companheiros, afinal não somos nós, a responsabilidade é da hormona e temos todos desculpa!!!
 
Num estudo da Faculdade de Medicina de Yale, cientistas observaram que altos níveis de testosterona, ainda que por períodos curtos de seis a doze horas, causaram morte em culturas de neurónios.
 
Eta, companheiros, afinal elas têm razão no que afirmam. Mas continuamos a não ter culpa, verdade?!
 
Estão a gostar até aqui? Sim? Ainda bem, mas isto não tem nada a ver com o tema do post que é a velha questão do que é o amor.
 
Passamos a vida a relacionarmo-nos, a seduzirmo-nos, a apaixonarmo-nos, a sofrermos, a vivermos em função de outros e a reproduzirmo-nos ou a treinarmos muito para isso.
Andam os poetas há séculos a cantar odes à Lua, aos passarinhos, à paixão e ao amor.
 
E afinal não querem lá ver que em vez de razões elevadas, poéticas, transcendentais, tudo se reduz a uma coisa tão comezinha como as substâncias químicas produzidas pelo nosso organismo?!
 
E há muitas que se dedicam a regular as nossas sensações de bem-estar, como a dopamina, a noradrelina, a serotonina, a ocitocina, etc.
 
A ocitocina, por exemplo, tem a função de promover as contracções uterinas durante o parto e a ejecção do leite durante a amamentação. Encontraram-lhe ligações ao que sentimos quando abraçamos um parceiro de longa data ou pegamos nos filhos ao colo. Tem efeitos no controle da agressividade e é bem capaz de ser a responsável pelos nossos níveis de generosidade, empatia e confiança para com os outros.
Muitos especialistas chamam-lhe a hormona do amor, já que a sua concentração no organismo aumenta 400% depois do orgasmo.
Ou seja, esta gaja foi feita para ajudar as pessoas a ficarem juntas durante muito tempo.
 
E dirão vocês: Mas anda tudo tão infeliz no amor, tão insatisfeito e acabrunhado, onde raio andam elas afinal, será que nos últimos tempos fizeram greve?
 
E respondo eu: Não será exactamente o contrário? Não andaremos todos tão viciados em ‘bem-estar’ que já não tiramos nenhum prazer das coisas simples e tranquilas?
 
Pois é… 
.
Ou será que não é?
 
Música: Eric Clapton - Wonderful Tonight 

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antídoto às 19:33 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Quarta-feira, 17.10.07
Ao longo dos anos tenho reparado, e sentido na própria pele, numa coisa que para muita gente é quase um princípio geral de actuação, quando lhes surge aquela coisinha boa do ‘namoro’. 
.
1 - Nasce o sentimento de posse;
2 - Instala-se o ciúme;
3 - E a tentativa de controle;
4 - Começam a viver em função do outro;
5 - Mas sentem que deixam de lhe poder falar sobre tudo;
6 - Fazem filmes demasiado apressados sobre o futuro;
7 - Vão abandonando o convívio de grupo com os amigos;
8 - Deixam de poder brincar e ser naturais com os amigos do sexo oposto;
9 - Surge a insegurança sobre o que o outro quer;
10 - E a dúvida relativamente ao que realmente querem;
11 - Inicia-se o meticuloso processo de querer transformar o outro.
 
Esqueci-me de alguma coisa?
 
Enfim, quando se poderia viver, tranquila e agradavelmente, uma fase boa da vida, acabam por transformá-la num drama pessoal, sem pés nem cabeça.
 
Há realmente muita gente que se dedica a estragar a própria vida, não há?
.
Música: Vanessa da Mata & Ben Harper - Boa sorte

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antídoto às 15:39 | link do post | comentar | ver comentários (39)

Segunda-feira, 15.10.07
Já todos devem conhecer a história do casal bósnio que se conheceu e apaixonou na Internet e, quando marcaram o primeiro encontro, descobriram que eram marido e mulher.
 
Nem vou aqui discutir as relações virtuais, para mim não são nem melhores nem piores que quaisquer outras.
 
O que me deixa realmente a matutar é o fenómeno geral do enamoramento.
 
Aqueles dois mocinhos apaixonaram-se e casaram, deixaram morrer a relação e reapaixonaram-se na Internet, sem saberem que estavam a falar com a mesma pessoa com quem viviam.
 
Afinal eram ideais um para o outro ou não? Aparentemente sim, tinham tudo em comum. Apenas não se podiam ver.
 
O que faz com que acabe a comunicação entre um casal? O que é que mata as relações?
É que idealizar o outro é muito bonito e estimulante, mas a realidade do dia-a-dia é uma coisa completamente diferente.
 
Porque é que trocamos os nossos parceiros por outras pessoas?
Fácil. Com o outro é tudo bom, tudo novidade, tudo desejo, tudo disponibilidade, tudo namoro.
 
Com a nossa companhia de anos já nada é estimulante, com ela partilhamos as preocupações, os problemas, o tédio, os cheiros, o mau feitio...
E se a trocarmos, em poucos anos vamos ter exactamente o que tínhamos com a anterior.
 
Eu gostava mesmo de acreditar que é possível, mas acabo sempre a pensar que o amor é uma ilusão, ou antes, que o amor tem um prazo de validade.
 
E já estou a ouvir todos os apaixonados e românticos a debitarem os argumentos que todos conhecemos e ainda bem que assim é, mas…
 
Mas nada.
Saciar o corpinho é muito bom, mesmo sem amor, mas quando o fazemos com paixão é que percebemos a diferença.
 
Só por isso é que nunca digo nunca.
 
Música: David Fonseca - Hold Still

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