Sábado, 07.07.07
Andava com a cabeça na Lua e o coração a transbordar de felicidade.
Horas a conversarem, a conhecerem-se, a partilharem emoções, opiniões, conceitos, objectivos, desejos, intimidade…
A vida parecia ter outras cores, tudo parecia mais simples, leve e digno de ser experimentado e vivido.
As noites ardiam em paixão, plenas de carinho, sensualidade, luxúria e intensidade animal.
Passavam os dias a rirem como adolescentes, a trocarem sms estimulantes, desejosos do momento em que poderiam finalmente abraçarem-se.
Tinham passado só uns meses e não se reconhecia, estava mesmo agarrado e a adorar cada minuto, a construir na sua cabeça um filme com final feliz.
Mas naquele dia as respostas às sms estavam diferentes, muito espaçadas e contidas.
Perguntou-lhe se estava tudo bem, recebeu uma resposta afirmativa e descontraiu.
Encontraram-se à mesma hora de sempre, abraçou-a mas ela não correspondeu, deixando os braços caídos ao longo do corpo.
- Hum… tu não estás bem, aconteceu alguma coisa?
- Não, mas temos que conversar - respondeu ela hesitante.
- Que foi, amor? - questionou ele sentindo um baque no coração.
- É que não quero isto…
- Isto o quê?
- Isto! Isto que temos! Não quero sentir esta obrigação, esta vontade de ti, tenho a minha vida organizada, demorei a encontrar o meu equilíbrio, quero a minha vida de volta.
- A tua vida de volta? Nunca te exigi nada, não tens que mudar nada, que conversa é essa agora?
- Porquê, não posso? - respondeu ela desafiadora.
- Claro que podes, mas apanhaste-me de surpresa, mostraste-te sempre apaixonada e agora de repente…
- Sabes que adoro o meu trabalho, tenho que apostar na minha carreira, não quero sentir-me presa.
- Mas…
- Desculpa mas não dá, acabou aqui.

E o mundo voltou a ter tons de cinza...
Jorge Palma - Deixa-me rir

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Quinta-feira, 14.06.07
Ela abriu-lhe a porta e abraçaram-se, peito contra peito, rindo e dizendo piadas que só os dois entendiam.
Conheciam-se desde a escola e ao longo dos anos tinham cimentado uma amizade indestrutível. Passavam muito tempo ao telefone e encontravam-se com frequência, para poderem gozar a companhia um do outro e conversar abertamente, sem a presença inibidora de outros amigos. Sabiam tudo um do outro, partilhavam as alegrias e tristezas, os pormenores das relações amorosas de cada um, as emoções que sentiam, numa cumplicidade e intimidade raras entre um homem e uma mulher.
O jantar correu como sempre, de forma descontraída e divertida e estavam agora preguiçosamente no sofá.
Ela fixava-lhe a boca enquanto o ouvia contar uma estória engraçada, acontecida no trabalho.
Num impulso debruçou-se e pousou-lhe um beijo leve nos lábios.
Ele ficou estático uns segundos, surpreendido pelo inesperado do gesto. Depois puxou-a e beijaram-se longa e profundamente.
E tudo pareceu perfeito e natural…

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Terça-feira, 24.04.07
Ainda era cedo e o bar estava quase vazio. Atravessou-o dirigindo-se à mesa dos amigos com quem tinha marcado encontro.
Ele foi-lhe apresentado. Moreno, olhos escuros, um sorriso gaiato sempre a bailar-lhe nos lábios.
Sem quase se darem conta conversaram e riram durante o resto da noite, quase ignorando os amigos.
À despedida trocaram números de telefone, ele pôs-lhe a mão na nuca, deu-lhe dois beijos e segredou-lhe que tinha adorado conhecê-la.
No dia seguinte recebeu uma sms: “pensei em ti…”
Ao lê-la, abriu um sorriso rasgado e sentiu o coração a bater-lhe no peito.
Passaram a semana a trocar mensagens, pequenos telefonemas, combinaram jantar na Sexta seguinte.
E de novo ocorreu a conversa fácil, a empatia e a sedução mútua.
Levou-a a casa, trocaram um beijo profundo, convidou-o a subir.
Amaram-se pela noite fora, num frenesim de paixão. E na noite seguinte e na seguinte…
Ela andava nas nuvens, sonhando acordada, vibrante de vida.
Algumas semanas depois começou a senti-lo distante, impaciente, menos disponível.
E um dia ele telefonou-lhe e disse-lhe «preciso de falar contigo»...
Alice Cooper - No Time For Tears

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antídoto às 17:14 | link do post | comentar | ver comentários (21)

Terça-feira, 03.04.07
Procurou em todos os lugares onde ela poderia estar, tentou inúmeras vezes o contacto telefónico, mas em vão.
Sentia-se inseguro, com medo, inundado de ciúme, com a raiva a toldar-lhe o pensamento.
Ligou para amigos, colegas, para a mãe, mas ninguém sabia do paradeiro de Ana.
Dirigiu-se para o apartamento dela e usou a sua chave.
Revolveu e cheirou-lhe a roupa, vasculhou os bolsos dos casacos, procurou por cima dos móveis, dentro dos livros, nas gavetas…
Aqueles três anos de namoro estavam a resultar num tormento permanente para ele.
Sentia um ciúme doentio com a forma descontraída como ela fazia novas amizades, a maneira como falava com os colegas e amigos, a roupa que vestia.
Depois de inúmeras discussões, tinha-a finalmente induzido a deixar de usar biquíni na praia, coisa que pura e simplesmente não conseguia suportar.
Ligou o computador e preparava-se para lhe investigar os ficheiros, quando a ouviu a meter a chave na porta.
Dirigiu-se para ela, lívido, agarrou-a por um braço e apertou-o sem se dar conta, perguntando com voz alterada por onde tinha andado.
Ela soltou-se, olhando para ele e abanando a cabeça.
- Sempre a mesma coisa, ainda vais fazer com que não te consiga aturar. Tive um furo e estive à espera que o reparassem.
- E não tens um telefone?
- Acabou-se a bateria, que querias que fizesse?
Ele sentiu um alívio imenso, associado ao sentimento de culpa.
- Desculpa, querida, eu sei que tens razão, sou um parvo, mas é mais forte que eu, morro de ciúmes. Prometo que para a próxima vez me vou controlar, juro que vou deixar de fazer estas cenas…
Alguns minutos mais tarde, depois dele sair, ela faz um telefonema.
- João? Ufa, desta vez foi por pouco, mas escapámos…
Joss Stone - The Chokin Kind

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Sábado, 31.03.07
Olhou de novo a camisa que tinha nas mãos, era linda e ficaria fantástica nele.
Uma ruga de preocupação surgiu-lhe na testa, era caríssima e ia ficar sem dinheiro para o resto do mês.
Num impulso dirigiu-se à caixa e pagou, ele ia lá a casa nessa noite e queria fazer-lhe a surpresa.
Assim que chegou do trabalho dirigiu-se para a cozinha. Já tinha deixado a peça de carne condimentada, preparou as batatas, ligou o forno, fez a salada, colocou a melhor toalha na mesa, os pratos, talheres, a vela…
Tomou um duche rápido, fiscalizou o forno, secou o cabelo, barrou-se, maquilhou-se, vestiu-se, perfumou-se, olhou-se, achou-se bem.
Colocou a carne assada numa travessa funda, rodeada das batatinhas e abriu o vinho, para respirar.
Estava em cima da hora, tinha conseguido.
Tirou o avental, mirou-se de novo ao espelho, retocou os lábios e sorriu feliz, imaginando a surpresa dele e a noite que se seguiria.
Devia estar mesmo a chegar, pensou enquanto respirava fundo.
O telefone tocou.
- Ana, sou eu. Olha, hoje joga a selecção e a malta agarrou-me aqui.
- Óh, querido, estava à tua espera...
- Desculpa, vemo-nos amanhã, tá bem?
- Sim, amor, não há problema, diverte-te. Beijinho.
Sentou-se e jantou em silêncio, com os olhos toldados pela mágoa.
Limpou e arrumou a cozinha, viu um pouco de televisão e deitou-se.
Assim passou o primeiro aniversário de namoro.

Caetano Veloso - Sozinho

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Quinta-feira, 29.03.07
Explodiu num orgasmo longo, intenso, gemido, enquanto ela o abraçava com força, apertando-o contra si no auge do prazer, desejando fundir-se no corpo dele, sentindo um amor tão esmagador, que transbordou em lágrimas soltas de paixão.
Olhou-a longamente, maravilhado pela plenitude daquele momento, em que só eles existiam no universo.
Tinham feito amor, não sexo, moldando as almas e os corpos, de uma forma pura, perfeita e absoluta.
Abraçou-a, desejando parar ali o tempo, beijando-lhe as lágrimas, os lábios, o cabelo, enchendo-a de festinhas, de ternura, de paixão, querendo transmitir-lhe a emoção que o dominava.
Quis dizer-lho, mas não havia palavras que o traduzissem e da sua voz rouca apenas se ouviu: Amo-te
Tom Jobim - Eu Sei Que Vou Te Amar

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Quarta-feira, 28.03.07
Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma óptima posição no ranking das virtudes, o facto é que o amor ainda lidera com folga.
Tudo o que todos querem é amar e ser amados, mesmo que os racionais e/ou desiludidos afirmem o contrário.
Apesar da evolução dos costumes, da emancipação feminina e da cada vez maior liberdade sexual, creio que, consciente ou inconscientemente, aquilo a que todos aspiram é encontrar alguém que faça bater forte o coração, justifique loucuras, nos faça entrar em transe, fazer figuras ridículas, cair de quatro, revirar os olhos, rir à toa, cantarolar o dia inteiro e sentir aquela felicidade transbordante que a paixão nos transmite.
Há milhentas definições do que é a paixão e o amor, poéticas, filosóficas, cientificas e sei lá eu que mais. Mas encontrei um escalonamento que achei interessante e que, na minha opinião, define melhor a actual ambiência social, as diversas personalidades e correspondentes formas de amar, ou seja, a Lógica da Paixão.
Eros - É a paixão romântica dos poetas. Envolve forte atracção física e desejo sexual. Acontece de repente e pode terminar de modo abrupto. O apaixonado não consegue controlar esse sentimento intenso e irracional e, segundo uma pesquisa efectuada o ano passado em Itália, gasta no mínimo 4 horas por dia a pensar no ser amado. Quem experimenta essa sensação inebriante não mede consequências. Só uma coisa importa: ser correspondido. Este é o amor presente em nove de cada dez filmes de Hollywood.
Ágape - Em grego significa altruísmo, generosidade. A dedicação ao outro vem sempre antes do próprio interesse. Quem pratica este estilo de amor entrega-se totalmente à relação e não se importa de abdicar das próprias vontades para conseguir a satisfação do ser amado. Investe constantemente na relação, mesmo sem ser correspondido. Sente-se bem quando o outro demonstra alegria. No Limite é capaz até mesmo de renunciar ao parceiro se acreditar que ele pode ser mais feliz com outra pessoa.
Mania - Quem já experimentou uma ligação amorosa do tipo montanha-russa, um dia nas nuvens e outro no fundo do poço, conhece o estilo Mania. É a paixão obsessiva e ciumenta. O indivíduo acha sempre que não é amado tanto quanto ama. Requer provas de amor inesgotáveis e é capaz de loucuras para chamar a atenção do ser amado. Tem tanto medo do abandono que o parceiro acaba indo embora de verdade. "Mania é o lado escuro de Eros", define a psicóloga Americana Irene Frieze, da Universidade de Pittsburgh.
Ludos - Em Ludos o amor é uma brincadeira que muitas vezes se limita a uma única noite. O desafio da conquista é mais atraente do que a pessoa que se tenta seduzir. O conquistador evita os compromissos. Pode cultivar mais de uma relação ao mesmo tempo. Mesmo quando a ligação é duradoura, ele procura encontros fugazes durante o mesmo período. Se gosta de sexo mas nunca, ou raramente, se apaixona, ou se tem uma paixão nova a cada duas semanas, o seu tipo pode ser Ludos.
Storge - Certos romances começam de uma maneira tão gradual que os parceiros nem sabem dizer quando. Histórias assim enquadram-se no estilo Storge, nome da divindade grega da amizade. A atracção física não é o principal. Nada de noites incandescentes. O que conta é a confiança mútua e os valores partilhados. Os românticos desprezam esse tipo de ligação. Mesmo assim, nas pesquisas, os amantes do tipo storge revelam satisfação com a vida afectiva.
Pragma - Como o próprio nome indica, é o estilo dos pragmáticos, de quem dá prioridade ao lado prático das coisas. O indivíduo avalia todas as possíveis implicações antes de embarcar num romance. Se o namoro aparenta ter futuro, ele investe. Se não, desiste. Cultiva uma lista de pré-requisitos para o parceiro ou parceira ideal e pondera muito, antes de se comprometer. Procura um bom pai ou uma boa mãe para os filhos, leva em conta o conforto material e está sempre cheio de perguntas. O que será que a minha família vai achar? Se eu me casar, como estarei daqui a cinco anos?

Cá para mim Ludos e Pragma estão a ganhar a corrida, verdade?
Maria Rey – Piensa en mí

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