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Little Drop of Poison

veneno avulso com antídoto incorporado

veneno avulso com antídoto incorporado

Little Drop of Poison

05
Nov07

Condenados

antídoto

Sexta-feira à noite, Bairro Alto.

 

Um bar com música no volume ideal, suficientemente audível para ser sentida, mas sem impedir o prazer das conversas.

 

Observo a fauna presente, alguns espanhóis, ingleses, uma maioria de portugueses, diversos estilos e idades, sempre casais ou grupos mistos.

 

Noto a vivacidade nas conversas, os risos, os olhares, a expressão corporal, a tentativa de sedução omnipresente.

 

O meu olhar fica preso numa mesa de canto. Dois casais, menos de 30 anos, bem vestidos, atraentes.

 

Estão calados, bebericando dos copos, entretendo as mãos com porta-chaves e cigarros, um ar maçado nos rostos. Elas vão trocando monossílabos breves, eles nem isso.

 

Provavelmente um arrufo, penso. Mas, de repente, uma delas vasculha na bolsa e saca um baralho de cartas.

 

Os rostos animam-se, os sorrisos voltam, os copos afastam-se e começam um jogo, não sei exactamente de quê.

 

Vou divagando interiormente. Que raio levará a que as pessoas saiam de casa quando não sentem nenhum prazer em sair?

 

Depois faz-se luz, olho melhor, são casais mesmo, têm-se como garantidos.  

.

Ali não mora a vertigem da caça, não há jogos de sedução, não sentem a necessidade de se mostrar interessantes.

 

E por isso já não há conversa, sim um jogo de cartas num bar algures no Bairro Alto.

 

Pergunto-me se a generalidade das pessoas, por baixo da casca divertida e interessante, será mesmo o deserto interior que tantas vezes encontro.

 

Não há o tónico da conquista, a perspectiva de sexo, e tudo se acinzenta.

.

Onde ficará o conteúdo, as opiniões, os temas de interesse, a discussão de ideias, o prazer da conversa pela conversa?

.

Sexo é muito, muito bom. Jogos de sedução inteligentes são verdadeiramente estimulantes.  Mas só isso é tão poucochinho...

 

A palavra que me vem à cabeça é condenados.         

 

Música: Metallica -- Nothing Else Matters

2 comentários

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    antídoto 05.11.2007

    No sentido de que talvez seja também por isso que as relações resultam tão mal, condenadas à nascença.
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