Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007
Uma modelo escultural e um zézinho foram os únicos sobreviventes de um naufrágio.
A convivência numa ilha deserta levou a que acabassem por se enrolar mas, passados uns dias, ele começou a andar tristonho e ela resolveu questioná-lo.
- Porque é que andas tão triste, é por estarmos aqui perdidos?
- Não, é por causa de nós – respondeu ele.
- Por causa de nós??!! Mas está tudo a correr tão bem, o sexo é fantástico, somos tão felizes.
- Eu sei, mas mesmo assim…
- Mesmo assim o quê? Diz-me, há alguma coisa que eu possa fazer para te sentires melhor?
- Bem, já que perguntas… tu ficavas chateada se eu te pedisse para te vestires de homem?
Ela não se importava nada e assim fez. Imediatamente a seguir ele sentou-se ao seu lado e perguntou:
- Olha lá, pá, tu sabes quem é que eu ando a comer?!
.
.
Esta anedota traduz na perfeição o que, para mim, é uma das piores facetas dos homens.
Dos homens? Isso julgava eu.
É que a evolução da “condição feminina”, ou seja, a igualdade dos géneros perante a sociedade, o diluir dos preconceitos, revelou-me que as mulheres são perfeitamente capazes de igualar e ultrapassar as piores características masculinas.
 
E não me entendam mal, a absoluta igualdade sexual é um ideal a atingir. Para mim o corpo não é um lugar de culto e todos devem ser livres de viver a sua sexualidade como bem entenderem, de forma natural, descontraída e livre de acusações das mentalidadezinhas tacanhas que ainda pululam por aí.
 
A questão é que com a liberdade vem sempre o exagero. Tornou-se moda, para muitas mulheres, afirmarem a torto e a direito que são muito livres e liberais, que fodem com quem bem lhes apetece, que já comeram A, B e C, que este não presta e que aquele é bom, que o fazem apenas pelo sexo, que são muito boas, controlam tudo e todos e não se deixam seduzir.
E fazem-no não no seu círculo de amizades, mas para quem as quer ouvir.
 
E é ver, por essa blogosfera fora, miúdas com vinte e poucos anos a repetir coisas do género, cheias de certezas, considerando-se profundas conhecedoras do género masculino e sem quaisquer dúvidas relativamente ao que são os homens e ao que estes realmente querem. Declaram-se senhoras de si, dominadoras e inexpugnáveis à dor.
 
Por um lado acho-lhes graça, rio-me sempre de quem apregoa certezas absolutas sobre si próprio, quanto mais no que respeita ao ser humano, individual ou colectivamente, ou à vida em geral.
 
Por outro, assalta-me sempre a mesma sensação desagradável que associo à rasquice. Não pelo que fazem, sim pelo que dizem.
Acho de uma enorme pobreza de espírito a necessidade geral de gabarolice, de publicitarem que são os maiores. Quem é verdadeiramente seguro de si não necessita de passar a vida a afirmá-lo.
Sabem, há uma coisa que aprecio imenso: classe.
 
Quanto ao sexo pelo sexo, sim, sou capaz, todos os corpos sentem e dão prazer, independentemente das emoções.
Mas eu dou valor aos afectos, ao respeito pelo outro, à amizade. Não preciso de me enamorar, mas só me relaciono fisicamente com mulheres com quem sinto genuíno prazer na conversa e na companhia, com quem privaria com gosto, ainda que sem sexo.
 
E há ainda outra coisa, talvez a mais importante. De cada vez que vou um pouquinho mais fundo na alma de uma dessas mulheres emocionalmente intocáveis, lá descubro o amor escondido, as dores, os traumas e os medos do comum dos mortais.
 
Dizer? Fazer? Isso é muito fácil.
 
Difícil é gerir emoções.
.
Música: Jorge Palma - Dá-me lume

Arquivado em: ,

antídoto às 15:53 | link do post | comentar

20 comentários:
De tasha a 24 de Setembro de 2007 às 08:57
Concordo com tudo... menos com uma coisinha muito pequena...
As mulheres sempre falaram e comentaram este e aquele... Veja, não sou assim taõ velha, nem assim tão nova (30) como isso, e já no meu tempo de adolescente nós, gajas, comentávamos que este beija melhor que aquele (sim, pois no 'ambiente' em que fui criada, nós, gajitas adolescentes, ainda não praticávamos sexo).
E acredito que no tempo das nossas avós, isso já acontecia. A diferença, é que antes era só com as amigas, à boca pequena, não fosse alguém que não devesse, escutar. E hoje fala-se livremente.
Mas acho que faz parte da condição humana falar.
Veja, estou contra as gabarolices. Mas acho que uma conversa saudável, entre amigos, também pode 'meter' sexo (oops, o que isto parece! :-)).
O seu blog tá muito giro. Parabéns!


De antídoto a 24 de Setembro de 2007 às 14:32
Pode e deve meter : )


Comentar post

coisas ditas

Case Study: DSK

Fui raptado por extra-ter...

3 em 1 - Exemplos do que ...

Música pela paz

Ainda bem que não somos p...

Destroque-me

O que é uma pessoa defici...

Leva-me à minha rua

Inversão de valores

Tarde de mais

e arquivadas

Julho 2011

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Page copy protected against web site content infringement by Copyscape
blogs SAPO
subscrever feeds