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Little Drop of Poison

veneno avulso com antídoto incorporado

veneno avulso com antídoto incorporado

Little Drop of Poison

13
Dez07

Botões

antídoto

Não parto do princípio que sei automaticamente mexer em tudo e sinto sempre um imenso prazer em ir experimentando e descobrindo, lentamente, todas as funções.

Vou tocando em cada um dos inúmeros botõezinhos, sempre atento às respostas que obtenho, algumas tão subtis que me parecem ser só pressentidas.

Testo, faço, desfaço, mexo, misturo, insisto, até  intuir todas as nuances possíveis, conhecer perfeitamente a cor, o som, a luz, o reflexo e interiorizar cada uma das respostas ao meu comando.

Explorar de forma plena todas as potencialidades, dá-me um enorme gozo, de que nunca abdico.


Não percebo como é que há tanta gente que nunca aprende para além do básico...







12
Dez07

Intensidade

antídoto
Nascemos e somos cuidados, alimentados, criados, protegidos e incondicionalmente amados pelos nossos pais.
 
Crescemos nessa bolha confortável que nos protege do mundo exterior, plenos de imaginação, fantasia e ilusão.
 
E chega o dia em que, voluntariamente, nos afastamos das asas protectoras dos pais, desejosos de iniciar um novo ciclo das nossas vidas, seguros de que vamos realizar tudo o que sonhámos.
 
Sentimo-nos os melhores, diferentes dos restantes, capazes de tudo, fortes, indestrutíveis, imortais.
 
Os anos vão passando, lutamos, ganhamos e perdemos batalhas, vamos percebendo que, afinal, não controlamos integralmente a nossa vida, que muitas vezes o acaso põe e dispõe e que nunca descansaremos.
 
Instala-se a insatisfação emocional com muitos aspectos da sociedade que criámos e do rebanho humano que nela pasta.
 
E, ainda que não o confessemos, há momentos em que desejávamos poder regressar à bolha, esquecer tudo e apenas deitar a cabeça no colo dos que nos alimentaram, criaram, protegeram e incondicionalmente amaram.
 
Temos cada vez mais presente a noção da nossa finitude.
 
A incapacidade de o conceber inventa para nós soluções mágicas de continuidade a que muitos se entregam.
 
Filosofias, gurus, bruxos, religiões, deuses, promessas de leite e mel, de outras vidas, de eternidade.
 
Outros, poucos, assumem e aceitam o conceito biológico da vida, nascer, crescer e morrer, ponto final.
 
E dito isto o que sobra?
 
Ó pá, sobra tudo!
 
A vida é bela, tem muitas coisinhas fantásticas e há que deixarmo-nos de parvoíces e vivê-la intensamente.
 
07
Dez07

O dariz faz muita falta

antídoto
E só damos por isso quando ele nos falha.

No espaço de mês e meio já são duas vezes que sou atacado por aquela coisa que antigamente se chamava constipação de caixão à cova, mas que agora tem outro nome... como é que é... ah, sim, virose, pois.

Estou quase curado de uma virose daquelas que nos deixa a tossir, com a voz (ainda mais) sensual e com o dariz num estado lastimoso.

E o dariz faz muita falta.

Mas há coisas que fazem, incomparavelmente, mais falta.

Estou-me a lembrar da cimeira UE-África, do convite a Robert Mugabe e, pior ainda, do Darfur não fazer parte da agenda.

O dariz faz muita falta.

Os tomates fazem, incomparavelmente, mais falta.



Música: Bob Dylan - Blowin' In The Wind




04
Dez07

Histéricas

antídoto
Esse ser frágil e etéreo que dá pelo nome de mulher, sempre foi susceptível a enfermidades gravíssimas.
 
Uma das mais conhecidas é, sem dúvida, a histeria.
 
Lazarus Riverius (1589-1655  ) definia-a assim:
 
“…uma espécie de loucura, que aparece de um desejo veemente e incontrolável de um Aconchego Carnal, cujo desejo impede tanto a Faculdade da Razão que a Paciente urra e diz coisas lascivas...”
.
Histéricas do meu país e arredores, por favor... ups... desculpem, entusiasmei-me.
.
Continuando.
 
Já Pieter Van Foreest (1521-1597) prescrevia o tratamento adequado:
 
"...quando aparecem os sintomas, é necessário a ajuda de uma parteira, para que ela possa massajar a genitália com um dedo dentro, usando óleo de lírios, almíscar, açafrão ou algo parecido..."
 
Hum, hum… abençoadas… hum… continuemos…
 
O que muitos de vocês não saberão é que foi esta mesma histeria que levou a industria médica a desenvolver, na segunda metade do século dezanove, vibradores medicinais, muito úteis para a prevenção e cura dos sintomas.
 
Os primeiros modelos, embora eficientes, eram grandes e caros.
 

Manipulator – 1860
 
 

Excitateur vulvo-uterin - 1883  
 
 
Vocês puseram-se bem naquilo?!     Que grandes que eram…
.
Claro que com o advento dos modelos portáteis, movidos a electricidade, o uso doméstico começa a difundir-se.
 
 
Vibrador portátil – Começo do Séc. XX
 
Medo! Mas prontes, era com receita médica.
 
E daí para cá foi sempre a aviar, a indústria percebeu que a histeria era uma epidemia, apossou-se da ideia, desenvolveu-a e hoje já há coisas como o Thetoy, um vib que funciona com mensagens de texto, por telemóvel.
 
 
 

 
 
Digam-me lá, vocês não acham isto um cadito exagerado?
.
Quer dizer, o moço manda uma sms e, enquanto ela a lê, ouve-se bzzzzzz...  não sei...
 
Enfim, eu até gosto da histeria… heee… quer dizer… acho uma coisa bonita...
 
Mas, prontes, para nós, homens histéricos, basta um polegar oponível  e o facto é que as mezinhas caseiras continuam a funcionar muito bem.
 
03
Dez07

Custa muito a perceber?

antídoto
As predadoras que têm como único e declarado interesse comer gajos, depois ressentem-se por serem tratadas como carne.
.
Passam a vida a afirmar, sem quaisquer margens para dúvidas, que todos os homens sãos uns cabrões, mas só se sentem realizadas a viver nesse circulo e a agir exactamente como eles.
.
Esperam exactamente o quê?
. 
Não critico a forma como cada um vive a sua vida e alimenta o corpinho, ninguém tem nada a ver com isso.
.
Sei que nada do que é humano é linear e que  nada na vida  é 100% satisfatório. 
. 
Mas, ao fazermos as opções que fazemos, devíamos assumir e aceitar o que podemos esperar delas e não passarmos a vida em conflitos internos.
 
O facto é que não importa nada aquilo que o mundo é, o que importa é a forma como o vemos e vivemos.
 
E ele anda tão cheio de ceguinhos…
 
 
01
Dez07

You are so beautiful

antídoto

Vivemos, hoje em dia, sob o jugo da beleza parametrizada.

 

Somos bombardeados, a toda a hora, com publicidade, revistas, moda, cinema, tudo a mostrar-nos a e impor-nos um modelo padrão de beleza física que nos apresentam como ideal.

 

Os programas televisivos que nos mostram o antes e o depois de gente que se entrega nas mãos de ‘equipas multidisciplinares’ encarregadas de esculpir, raspar, remover, moldar, arrancar e implantar o que consideram que temos a menos ou a mais, são um enorme sucesso.

 

Nunca se gastou tanto em produtos de beleza, ginásios, cirurgia plástica e tudo o mais que nos possa deixar apetecíveis e prontinhos para sermos degustados por quem vier.

 

Curiosamente, quando o tema vem à baila, uma grande percentagem de pessoas afirma convincentemente que não senhora, que se interessa muito mais pela beleza interior que pela imagem. E, imediatamente a seguir, vai retocar o rímel ou levantar ferro.

 

O culto da imagem é uma religião que está a enriquecer os que dele vivem e a enlouquecer muita cabecinha insegura e incapaz de ver para além do contorno de um corpo esculpido.

 

Claro que todos gostamos de beleza, claro que a estética é importante, mas não será mais importante definir e buscar o que para cada um de nós é verdadeiramente bonito?

 

 

Música: Joe Cocker – You Are So Beautiful

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