Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

(continuação)
Dem Onio reparou nas expressões impassíveis dos conselheiros e atacou a parte final da sua exposição.
- Os humanos resultaram na pior das nossas criações, são uma raça cruel, raivosa e autofágica…
- NÃO!
Todos se sobressaltaram com o grito de De Us que se tinha levantado de um salto e caminhado até junto do seu antagonista.
- Desculpem mas não posso admitir este tipo de argumentação – proferiu com a voz alterada.
- Esta interrupção é altamente irregular - sorriu Dem Onio.
- Altamente irregular é a tua desonestidade intelectual – retrucou De Us
- E em que te baseias para afirmar tal coisa?
- Lanças uma série de afirmações fora de qualquer contexto e esperas arrasar com milhões de anos de evolução de uma raça??!!
- Meu caro De Us, repara que eu não interrompi o teu discurso, portanto senta-te e deixa-me acabar.
- Acabar com os humanos, queres tu dizer, mas vou impedir-te disso.
- Olhe que não, senhor De Us, olhe que não…
- E se eu afirmar perante esta assembleia que tudo o que afirmaste sobre os humanos tem outro responsável que não eles?
- Pronto, lá vem o espírito inventivo – riu-se Dem Onio, encolhendo os ombros e piscando o olho aos conselheiros.
- O facto é que o teu dedinho cirúrgico está envolvido em todas as calamidades que expuseste.
- Essa é uma afirmação grave a que responderei no local apropriado.
- É aqui que tens que te explicar, está em jogo a vida num planeta.
- Não, meu amigo, és tu que acusas, compete-te provar.
- É isso que vou fazer! - Gritou De Us, cada vez mais alterado - o facto é que te estás lixando para a situação dos humanos, o teu alvo aqui sou eu.
Dem Onio deu um passo em frente e abraçou paternalmente De Us, enquanto ria alto. Este empurrou-o com violência e no segundo seguinte estavam engalfinhados.
Min Erva, a assessora, soltava gritos agudos, enquanto os conselheiros, se esforçavam por separar os contendores.
Finalmente a ordem voltou à sala. Ca Os deus uma forte reprimenda aos dois acompanhadores e exigiu-lhes que agissem de acordo com a sua linhagem. E os conselheiros retiraram-se para deliberar, voltando poucos minutos depois.
Ca Os pigarreou e fez-se ouvir.
- Os conselheiros aqui presentes estavam fortemente inclinados em determinar a extinção da vida humana, a partir das zero horas do dia um de Janeiro do ano 2000, data terrestre.
Porém, uma raça com a capacidade de provocar emoções tão vivas e intensas aos dois acompanhadores mais experientes de Génesis, ao ponto de os fazer assumir comportamentos próprios de pré-evoluidos, tem seguramente em si a génese de algo que ainda não está devidamente analisado e compreendido.
Apenas, repito, apenas por este facto surpreendente, decidimos aplicar à nossa decisão uma moratória que permita acompanhar devidamente o caso.
Assim, fica já marcada nova reunião do concelho, no mesmo local e data, precisamente daqui a 2000 anos terrestres.
Relativamente aos acompanhadores e atendendo ao aqui ocorrido, determina-se, como medida disciplinar, a sua suspensão pelo mesmo período de 2000 anos, com perda de vencimento.
Talvez esteja na hora de os humanos se verem livres de más influências. Siga para bingo!
E abandonaram a sala, enquanto De Us e Dem Onio se entreolhavam consternados, fazendo contas à vida...


antídoto às 16:20 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007
Primeiro, com 39% dos votos: Poema Quadrado
Segundo, com 22% dos votos: Toda a Verdade
Terceiro, com 17% dos votos: Energia Criativa

And that's all, folks

antídoto às 20:49 | link do post | comentar | ver comentários (4)

(continuação)
Porém, permitam-me que tome a defesa da nossa criação.
Os humanos são uma raça de contrastes que tem, em si mesma, enormes capacidades de regeneração. São capazes de actos sublimes, de um altruísmo comovente, mostrando o melhor de si próprios, toda a sua força interior, principalmente nos momentos em que sofrem colectivamente graves crises provocadas pelas convulsões naturais do planeta.
De Us fez uma pausa, enfrentando os olhares dos conselheiros, e continuou.
- Se isto não é um sinal evidente de que merecem a continuidade evolutiva, então não sei o que seja. E notem que o meu tempo de acompanhador me permite afirmar que eu sei tudo! É esta a decisão que aqui venho defender e espero de vós.
Dito isto sentou-se, notando com agrado o efeito que as suas palavras tinham provocado nos semblantes dos que o ouviam.
De súbito ouviram-se palmas ritmadas e todos fixaram Dem Onio que se levantava com um sorriso nos lábios.
- Meus irmãos, quero primeiro dar os meus mais sinceros parabéns a De Us. É de facto necessário ser-se muito competente para do nada fazer surgir algo. Percebo agora melhor de onde herdou Jes Us o espírito imaginativo, ambos têm realmente o dom da multiplicação. Não vou esticar-me na minha apresentação, já que o nosso inventivo irmão disse o que é essencial para a vossa análise, ou seja, e sito, “a estagnação emocional e espiritual é evidente”. Acrescento, apenas, algumas informações adicionais, para vosso completo conhecimento:
1 - Guerras fratricidas de nível regional e mundial;
2 - Investimento massivo em armamento com potencial para aniquilar toda a vida no planeta, enquanto a fome e a doença são epidémicas e alastram em larga escala;
3 - Matanças permanentes e continuadas por motivos étnicos, religiosos, políticos e muitas vezes apenas porque sim;
4 - Exploração e destruição acelerada dos recursos naturais essenciais, por motivos puramente económicos;
5 - Poluição crescente e incontrolada, com graves consequências no equilíbrio natural do planeta, provocando alterações climáticas já evidentes e que se tornarão devastadoras a curto prazo;
6 - Exclusão e exploração de ¾ da população mundial, impedida de aceder à partilha dos bens essenciais e aos níveis de evolução da minoria mais desenvolvida;
Como vêem, meus irmãos, a raça humana está condenada. Ou agora por vossa decisão, ou a curto prazo por sua própria iniciativa.
(continua)


antídoto às 19:45 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007
Reunião do conselho supremo do planeta Génesis, origem da espécie inteligente mais antiga e evoluída do Universo, responsável única pela criação e evolução de vida em inúmeros mundos, de inúmeras galáxias.
Ponto único em discussão: análise da evolução da vida no planeta Terra, Via Láctea e decisão última e definitiva sobre o destino a dar-lhe.
Sentados em semi-circulo, os conselheiros Ca Os, Od Im, Ze Us, Am Onra, Jupi Ter, Bra Hma, Shiv A, e Vi Shnu, observam com olhos aguados a assessora que entra na sala e se dirige à assembleia.
- Alguém quer caf e?
- Não, Min Erva! - exclamam em coro (uma resposta muito conhecida também na Terra).
Aguardam a chegada dos criadores e acompanhadores de vida destacados para o planeta azul, que finalmente entram na sala e se sentam, em silêncio, nos seus lugares.
Ca Os, levanta-se e toma a palavra.
- Irmãos, estamos aqui reunidos para ouvir os relatórios dos acompanhadores aqui presentes, De Us e Dem Onio, relativo aos últimos 2.000 anos de evolução da raça humana, após o que decidiremos de forma definitiva sobre o destino da mesma.
Recordo-vos a prática corrente de utilizarmos as medidas temporais locais, sempre que analisamos uma forma de vida.
De Us e Dem Onio entreolharam-se, com cara de poucos amigos e o primeiro levantou-se.
- Irmãos, adianto-me a Dem Onio, expondo-vos já, sem subterfúgios, os aspectos negativos da análise.
É com pesar que informo a assembleia que a evolução da raça humana neste espaço de tempo é insignificante.
Lembram-se certamente das medidas correctivas que fomos obrigados a tomar, há 2.000 anos atrás, inserindo no planeta diversos agentes, um deles, por mero acaso, o meu filho Jes Us, com a missão de, sem darem a conhecer a nossa existência de forma clara, interagirem com os humanos e assim servirem de alavanca à mudança de rumo evolutivo que se pretendia.
Todos sabem como decorreu a missão. Apesar dos erros estratégicos cometidos pelos nossos agentes, ao contarem aos humanos estórias fantasiosas sobre a nossa existencia, levando-os ao culto de pseudo entidades superiores, ficámos esperançados que daí em diante os humanos seriam capazes de evoluir positivamente, equiparando-se às restantes raças por nós criadas.
Infelizmente tal não foi o caso.
Tecnologicamente deram-se os avanços esperados para o lapso de tempo decorrido, mas a estagnação emocional e espiritual é evidente.
(continua)


antídoto às 21:48 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2007
Foi, salvo erro, em Setembro que uma sondagem encomendada pelo jornal Sol teve como resultado que 28% dos portugueses acham que Portugal e Espanha deveriam ser um só país.
Agora, na eleição do maior português promovida pela RTP, D. Afonso Henriques, fundador da nacionalidade, arrisca-se a ganhar, sem espinhas.
Será que isto é um bocadinho incongruente, ou sou eu que não estou a ver bem?
Cá para mim estamos perante mais um pobre exemplo do povo que somos, ou seja, colocados perante uma questão não pensamos, não investigamos, não nos documentamos, não queremos saber.
Adaptando uma famosa calinada de um conhecido comentador desportivo, respondemos com o pé que está mais à mão e que se lixe que a bola saia pela linha lateral, não é nada connosco.
E de facto assim seria, se todas as questões se resumissem aos exemplos acima dados.
O problema, mesmo problema, mesmo problema, é que somos assim relativamente a tudo.
Argumentamos, opinamos, exaltamo-nos a defender a nossa dama, tomamos partido, como se fossemos verdadeiros peritos em todos os assuntos e estivéssemos na posse de toda a informação.
Criticamos sem saber o quê, nem porquê, já que falar é fácil. Pensar e procurar respostas é que dá uma grande trabalhêra.
Enfim… heróis do mar…


antídoto às 18:48 | link do post | comentar | ver comentários (16)

Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007
Pronto, a partir de hoje podem votar no texto que considerem o melhor dos 10 ali ao lado.
Tankiu verimach.

antídoto às 00:03 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007
Fiz aqui uma brincadeirinha em que se diz que no paraíso os amantes são portugueses.
E não é que os comentários femininos foram tudo menos abonatórios? O que não me é estranho, atendendo às reclamações que leio nos blogs e aos desabafos bem humorados das mulheres com quem falo.
Ou seja, há uma enorme quantidade de Marias descontentes com o desempenho do macho português.
Não sei se elas se estavam a referir exclusivamente ao sexo ou se, de uma forma mais abrangente, incluem no pacote tudo o que diz respeito à relação.
Na segunda hipótese até estou inclinado a concordar, acho que, na generalidade, somos bastante insensíveis relativamente às necessidades emocionais do género feminino.
No campo estritamente sexual, e não sabendo nada sobre a forma como os outros homens funcionam, a minha experiência diz-me exactamente o contrário, a maioria das mulheres tem alguma dificuldade em se soltar e confundem duas coisas muito diferentes: fazer sexo e fazer amor.
É realmente difícil encontrar uma mulher que saiba ser fêmea e, notem, não estou a falar de técnica mas de algo que acho que nasce connosco, ou se tem ou não se tem.
Será que os géneros feminino e masculino possuem idiossincrasias específicas que tornam complicada a compatibilidade sexual? Ou será, por outro lado, que são as questões educacionais, sociais e religiosas que nos colocam em campos aparentemente tão opostos?
Para agravar a questão, a maioria das pessoas sente uma enorme dificuldade em assumir o que é na cama, em dizer ao outro o que quer e como quer e, sobretudo, em se declarar decepcionado, o que, se pensarmos que cada um de nós é um mundinho complexo, não ajuda nada a melhorar performances.
Enfim, talvez chegue o dia em que andemos todos munidos de um livro de reclamações sexuais.
Deve ser mais fácil escrever sobre o parceiro que ele é um fracasso nisto e mediano, para o fraco, naquilo.
E depois mandar pelo correio! : )


antídoto às 22:24 | link do post | comentar | ver comentários (13)

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