Domingo, 14 de Janeiro de 2007
Este senhor lançou um desafio que achei interessante e resultou no texto abaixo.
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Olha pela janela, para o negrume da noite e deixa-se ficar ali, a testa encostada ao vidro, imerso em pensamentos. Será que ela adivinha as emoções que lhe provoca? Será que conseguirá dela um eco relativamente ao que sente? Ou será que, como parece, para ela é só alguém suficientemente interessante para uma noite de sexo?
Esta última hipótese provoca-lhe um aperto no estômago. Abana a cabeça, não se reconhecendo. Pois não era apenas isso que sempre desejou das mulheres com quem se cruzou na vida?
Dirige-se à cozinha, põe água na máquina e prepara um café, que acaba por ficar a arrefecer, esquecido sobre a mesa.
A ironia da situação fá-lo esboçar um sorriso triste. Ele, a quem tantas vezes chamaram desprendido, indiferente, frio, distante, está agora a provar do seu próprio remédio. Ele, que julgava ter uma pedra no lugar do coração, o hiper racional, vê-se agora enleado nas teias da paixão não retribuída e a sentir um frio de morte a invadir-lhe a alma.
Ainda lhe sente o cheiro e recorda, absorto, o som da sua voz cálida, os seus gestos, o calor da sua pele, a excitação que lhe provocou a audácia com que ela procurou o prazer.
Há muito tempo que ninguém era capaz de lhe estimular assim os sentidos, não apenas no sexo, mas de todas as formas possíveis e imaginárias, ao ponto de o fazer perder o norte.
A perspectiva de ter finalmente encontrado a mulher que nem sabia que desejava, é como uma tela cheia de cor e vivacidade, uma pintura belíssima com que anseia preencher uma vida demasiado solitária.
Porque será que o amor é tantas vezes sinónimo de dor?
Olha-se ao espelho, reparando nos olhos cansados, nas rugas vincadas… É tarde, precisa tentar descansar.
Sobe os degraus, dirige-se ao quarto e estende-se na cama, ainda vestido, puxando para cima de si a velha manta de retalhos que foi da sua avó.
Antes de adormecer sente-se invadir pela doçura que lhe transmite a ideia de uma vida a dois.
Nos próximos dias saberá…


antídoto às 00:35 | link do post | comentar

18 comentários:
De Anónimo a 15 de Janeiro de 2007 às 10:20
oriops, casa nova.
a tua "casinha" ainda está mais acolhedora. Gostei! o prata tem a ver contigo, sim senhor.
ahh e "ele" tava mesmo contido, não tarda tás um xxl de um escritor, poças!
Beijocas


De antídoto a 15 de Janeiro de 2007 às 01:28
Tens o condão de me pôr a rir.
E o facto é que não sei não senhora, mas chego lá por tentativas : )


De Anónimo a 15 de Janeiro de 2007 às 01:19
Já percebi que estamos sincronizados.
That's the same generation... What else?
Vibro e quase me venho com Tom Waits...
Mas please my love, põe isso como sugestão e não como "obrigação" ou também não o sabes fazer???
(sorry...)

Kiss
p.s. sleep well


De antídoto a 15 de Janeiro de 2007 às 01:02
Nada a agradecer, decidi arranjar um cantinho para 10 textos, por mês, de que goste muito. Mas é só a minha opinião de leitor e nem comuniquei nada aos autores.


De Anónimo a 15 de Janeiro de 2007 às 00:45
Venho aqui agradecer a visita lá na tasca, e o destaque feito à galeriaI.
É sempre uma surpresa agradável descobrir quem nos lê e gosta :o)
E pronto, era isto e mais aquilo que no futuro se irá dar quando ler com atenção o que escreve, que ando presa de tempo.
mais uma vez,obrigado


De antídoto a 14 de Janeiro de 2007 às 22:40
In love? Não. Pareci? : )
É só ficção, mas não me importaria nadica.


De Anónimo a 14 de Janeiro de 2007 às 22:23
Sorry:
"velha manta" soa melhor...


De Anónimo a 14 de Janeiro de 2007 às 22:22
Tens uma manta velha em "patchwork"???

ou antes,

ARE YOU IN LOVE, dear Veneno?


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