Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007
Nascemos e somos cuidados, alimentados, criados, protegidos e incondicionalmente amados pelos nossos pais.
 
Crescemos nessa bolha confortável que nos protege do mundo exterior, plenos de imaginação, fantasia e ilusão.
 
E chega o dia em que, voluntariamente, nos afastamos das asas protectoras dos pais, desejosos de iniciar um novo ciclo das nossas vidas, seguros de que vamos realizar tudo o que sonhámos.
 
Sentimo-nos os melhores, diferentes dos restantes, capazes de tudo, fortes, indestrutíveis, imortais.
 
Os anos vão passando, lutamos, ganhamos e perdemos batalhas, vamos percebendo que, afinal, não controlamos integralmente a nossa vida, que muitas vezes o acaso põe e dispõe e que nunca descansaremos.
 
Instala-se a insatisfação emocional com muitos aspectos da sociedade que criámos e do rebanho humano que nela pasta.
 
E, ainda que não o confessemos, há momentos em que desejávamos poder regressar à bolha, esquecer tudo e apenas deitar a cabeça no colo dos que nos alimentaram, criaram, protegeram e incondicionalmente amaram.
 
Temos cada vez mais presente a noção da nossa finitude.
 
A incapacidade de o conceber inventa para nós soluções mágicas de continuidade a que muitos se entregam.
 
Filosofias, gurus, bruxos, religiões, deuses, promessas de leite e mel, de outras vidas, de eternidade.
 
Outros, poucos, assumem e aceitam o conceito biológico da vida, nascer, crescer e morrer, ponto final.
 
E dito isto o que sobra?
 
Ó pá, sobra tudo!
 
A vida é bela, tem muitas coisinhas fantásticas e há que deixarmo-nos de parvoíces e vivê-la intensamente.
 
Música: Lou Reed - Take A Walk On The Wildside 

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17 comentários:
De Finurias a 12 de Dezembro de 2007 às 15:34
Aceito o conceito biológico da vida !

É verdade que tem muitas coisinhas fantásticas...mas raras !



De antídoto a 12 de Dezembro de 2007 às 18:03
Qual raras, os passarinhos cantam todos os dias :)


De www.egodependente.blogspot.com a 12 de Dezembro de 2007 às 16:47
Pois. Não concordo. e logo na parte de crescermos numa bolha à prova de tudo porque amados e acarinhados e tal e coiso. Quem nos ama, se nos ama saudávelmente, deixa nos cair, para que esfolemos os joelhos e que saibamos que cicatriza (com beijinhos obvio). Porque só assim podemos crescer sabendo que vamos cair sim, vamos nos magoar "pa caraças" mas que tudo passa e tudo se cura (nem tudo mas pronto, mantemos a coisa romantica). Essas pessoas que estás a falar (escrever) cresceram egocentricamente. Acham que o mundo é a sua ostra, que os outros existem só para lhes satisfazerem os desejos. Quando existe alguém que os faz cair, os tipos olham para o joelho em panico e aí, meu antidoto, não há beijos que o safem.

Boa tarde. Como vai?


De antídoto a 12 de Dezembro de 2007 às 18:06
Tens que entender para além do literal.
Claro que é para magoar os joelhos, estava apenas a referir os primeiros anos de vida, em que, regra geral, não temos mais problemas para além dos arranhões.

Boa tarde, também, e vou de carro :)


De Mrs. Jones a 12 de Dezembro de 2007 às 17:57

É sempre com alguma inveja (envergonhada, mas teimosa), que presencio o conforto que se obtém através da benção da fé - seja ela qual fôr... em que fôr... e por mais idiota que me pareça a fundamentação da dita.

É que é mesmo duro estar frente a frente com a constatação da nossa própria finitude. Não só porque é injusta, incongruente e despropositada... mas sobretudo porque é solitária.

Morrer, tal como nascer, é um acto solitário. É a altura em que a condição de ser individual se torna mais insuportável. Quanto melhor conseguirmos aceitar essa inevitabilidade cretina, melhor conseguimos aproveitar as coisinhas boas da vida.

De preferência em boa companhia... É que depois, no nada, não há ninguém que nos faça um chazinho de limão, que nos chegue um raminho de salsa.


De antídoto a 12 de Dezembro de 2007 às 18:08
Ora, morrer é fácil, apagou-se e pronto.


De Mrs. jones a 12 de Dezembro de 2007 às 18:31

Ok, morrer até pode ser fácil.

A questão de ser obrigatório é que me irrita.


De antídoto a 12 de Dezembro de 2007 às 19:03
Obrigatório? Eu sou como o Agostinho da Silva, imortal até prova em contrário.


De ego blá blá blá a 12 de Dezembro de 2007 às 20:09
Sim...Agostinho da Silva não é aquele que morreu?


De antídoto a 12 de Dezembro de 2007 às 20:16
Sim mas... deu por isso?


De ego... a 12 de Dezembro de 2007 às 20:17
(teimoso)


De Mrs. jones a 13 de Dezembro de 2007 às 20:44

Pode ter dado. Nós demos por isso, de certeza. Acho que isso é prova suficiente que morreu.


De antídoto a 13 de Dezembro de 2007 às 22:21
Agora disseste tudo, NÓS demos por isso. Ele descansou, nenhum problema para ele.


De Kruella a 13 de Dezembro de 2007 às 14:27
Bom...nem todos querem voltar para o colinho dos pais...sinceramente muitas vezes preciso ou anseio por um colinho, um ombro só para descansar a cabeça...mas jamais o procuraria nos progenitores...tudo o que eles podiam dar...já deram.


De antídoto a 13 de Dezembro de 2007 às 17:23
Pronto, já percebi, vou passar a ser completamente explícito nos meus posts


De Bruno, The Master a 13 de Dezembro de 2007 às 22:12
é bem verdade...
especialmente quando a opção recai mesmo pela vivência sozinha...

mas o que nao nos mata, faz-nos mais fortes!


De antídoto a 13 de Dezembro de 2007 às 22:32
Somos bichos muito adaptáveis...


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