Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
Somos todos muito moderninhos, civilizados, politicamente correctos, despreconceituosos e tolerantes.

Abrimos a boquinha e só saem maravilhas, tão bons que nós somos, tão perfeitinhos que até chateia.

Reparem que deixaram de haver putas, pretos e paneleiros e isso só pode significar o quão desenvolvida é a nossa mentalidade, pois tá claro.

Somos genuinamente um povo de brandos costumes, precursores a nível mundial, quiçá até extraterrestre, do conceito de progressismo humanista (desculpem, embargou-se-me a voz).

Ok, quando vem uma crise, seja ela qual for, lá mostramos o nosso verdadeiro eu, mas, caramba, só acontece às vezes e é da crise, ora. Não tem nada a ver com fingimento ou hipocrisia.

Há uns anos atrás, não muitos, um Meritíssimo Juiz de Direito emitiu uma Douta sentença, num caso de violação, em que declarava que se a mocinha não queria ser violada, não devia andar de mini-saia na coutada do macho latino.

Mas prontos, temos que convir que o senhor não é uma besta,  estava apenas a desempenhar o papel de guardião dos bons costumes  que lhe foi destinado por Deus formação moral e técnica. Eles estudam muito.

Agora o Tribunal da Relação, contra todos os pareceres médicos e científicos, declara legal o despedimento de um seropositivo que trabalhava na cozinha de um hotel, porque a saliva, o suor e as lágrimas podem transmitir-nos o HIV quando nos deliciamos com a salada.

Mas prontos, temos que convir que os senhores não são... esperem, eu já disse isto... leiam outra vez mais acima.

De maneiras que eu propunha que nos deixemos de merdas.

As mulheres, faxabor, voltem a deixar crescer o bigode, os homens a unha do dedo mindinho e voltemos todos a vestir-nos de cinzento.

Tenho dito!


Música: Led Zeppelin - No Quarter


antídoto às 19:58 | link do post | comentar

24 comentários:
De Miss Precious a 21 de Novembro de 2007 às 09:49
Olá, Antídoto.
Não conheço exactamente o teor do acórdão, mas já tive um caso semelhante que acabou por ser resolvido por acordo.
Há um risco de contágio na cozinha de um restaurante se trabalhas com objectos aguçados, é inegável. Contudo, não para os clientes, mas sim para os colegas, que manuseiam os mesmos instrumentos de cozinha. Não sei se foi isso que o tribunal entendeu.
Mas admito que o limite entre discriminação e precaução admissível é muito ténue.
O processo ainda subirá ao Supremo, e logo se verá o que eles entendem.


De antídoto a 21 de Novembro de 2007 às 12:32
Olá, Preciosa.

Também não conheço o teor do acórdão, baseei-me numa notícia do público que achei completa e verosímil.

No blog não me debruço sobre questões jurídicas, nem contesto a interpretação e aplicação da lei.

Aliás, como ambos sabemos, podem-se 'comprar' doutos pareceres jurídicos , com interpretações opostas da mesma questão legal, absolutamente defensáveis.

O que critico é a ignorância, o preconceito e as mentalidades.

O teu argumento de haver um risco de contágio é, legalmente, absolutamente defensável.

Claro que, por exemplo, há profissionais de saúde que são seropositivos e continuam a trabalhar todos os dias.

E claro que eu corro o risco de sair de casa e me cair um avião em cima.


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