Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Todos os estudos afirmam que a monogamia é uma raridade entre os animais e com o Homo Sapiens não é diferente.
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O facto é que nós, bichos com alma, achamos que, por isso mesmo, estamos livres da influência biológica, regemos as nossas vidas e tomamos as nossas decisões apenas e só tendo por base o intelecto.
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Nada mais errado. Cada vez surgem mais provas de que a nossa animalidade está bem presente e influencia, mais do que gostaríamos, a forma como nos comportamos.
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A monogamia não passa de um mito contranatura, laboriosamente erigido pela cultura humana, um caldo fervido com muitas doses de preceitos religiosos (catolicismo a granel), um bocado de pragmatismo económico (como a necessidade de regular o direito à propriedade privada), um toque de ingredientes sociais (reconhecimento da prole) e, claro, um punhado de comodismo, já que não é toda a gente que tem estofo ou disposição para enfrentar o arriscado e instável mercado de encontros.
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“O mais poderoso mito que envolve a monogamia é aquele que diz que, ao encontrarmos o amor das nossas vidas, nos dedicaríamos inteiramente a ele”. Quem o afirma são o psicólogo David Barash e a psiquiatra Judith Eve Lipton, autores de “The Myth of Monogamy: Fidelity and Infidelity in Animals and People” e casados entre si há mais de 20 anos  (agora ri-me).  
 
Por estas e por outras é que eu nunca prometo fidelidade, sim lealdade.
 
O que me lixa é que nenhum estudo científico consegue explicar razoavelmente a componente fundamental da esmagadora maioria das relações humanas: O amor.
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Seja lá como for, vi no blog Murcon que a poligamia faz mal aos homens, parece que quanto mais poligâmica é uma espécie, mais depressa os machos envelhecem e morrem.
Os investigadores da Universidade de Cambridge concluíram que isto acontece em função da intensa competição sexual.
 
Por isso, companheiros, tenham medo, tenham muito medo.
 
E saiam-me da frente!   : )
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* in “O Amor nos Tempos de Cólera” de Gabriel García Marquéz
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Música: Sérgio Godinho - O Namoro

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antídoto às 17:03 | link do post | comentar

31 comentários:
De clara a 23 de Outubro de 2007 às 18:01
É muito bem feito, a isso chama-se Karma.


De antídoto a 23 de Outubro de 2007 às 19:16
És tão má p'ra mim...


De clara a 23 de Outubro de 2007 às 22:37
Bom, na verdade não me estava a referir a ti, pois não sabia que te definias como polígamo. Mas seja, então.


De antídoto a 23 de Outubro de 2007 às 22:40
Pensei que te referias à forma como a música estava a sair.

Achas então que os polígamos merecem morrer cedo?


De clara a 23 de Outubro de 2007 às 23:39
boa pergunta. Não tenho aversão à poligamia pois essa é apenas uma maneira de estar como outra qualquer, e desde que plenamente aceite e levada às claras, é tão condenável como a monogamia. Só não entendo é porque é que a definição do polígamo vem sempre associada ao macho. Na espécie humana vejo-a nos dois géneros (nem vale a pena quantificar, dados concretos e provados sobre este assunto não há nem me parece que algum dia possam ver a luz do dia).
Na verdade a monogamia sempre me pareceu profundamente aborrecida e impossível de carregar uma vida inteira (e depois de ouvir algumas pessoas casadas descreverem os seus matrimónios, ainda mais).


De clara a 23 de Outubro de 2007 às 23:49
cá está, basicamente é isto:

http://lobi.blogs.sapo.pt/108717.html

;)


De antídoto a 24 de Outubro de 2007 às 09:20
O texto fala do assunto de forma genérica, onde há um macho há uma fêmea. E até deviam haver mais : )


De clara a 24 de Outubro de 2007 às 18:05
"Seja lá como for, vi no blog Murcon que a poligamia faz mal aos homens, parece que quanto mais poligâmica é uma espécie, mais depressa os machos envelhecem e morrem."

fêmea onde, antídoto?


De antídoto a 24 de Outubro de 2007 às 18:30
Ainda vivemos numa sociedade em que são muito mais eles a prevaricar que elas, pelo menos assumidamente.
Isso foi apenas a pitadinha de humor no final, mas, pronto, não quero cá desigualdades, as fêmeas estão autorizadas em envelhecer ao mesmo ritmo


De Mize a 23 de Outubro de 2007 às 20:06
Bom, começo por dizer que estou fascinada com este post. Estás com a "veia" toda :-)

Poderia contra-argumentar, pois que poderia!
Entre os quais :"Que o amor tem razões que a própria razão desconhece". Pois que é chavão, mas felicidade, felicidade é que o tal do estudo científico penaliza a classe masculina. Haja direito à diferença!
:-)


De antídoto a 23 de Outubro de 2007 às 20:20
Pois desconhece. Ainda te lembras como era a paixão juvenil que a música descreve? : )


De Mizé a 24 de Outubro de 2007 às 08:28
como se fosse hoje ;-)


De OMelhorDasNossasIdades a 23 de Outubro de 2007 às 22:45
Perante isto, devo pensar o quê?!

Continuar a fingir que acredito que um homem me poderá ser fiel? ou acomodar-me por não ter estofo ou disposição para enfrentar semelhante mercado?

Su

P.S. e os gajos têm de morrer e têm...por isso...
5* :)


De antídoto a 23 de Outubro de 2007 às 23:36
Partes do princípio que são só os homens...


De STAR a 23 de Outubro de 2007 às 23:39
Nós seres humanos, não temos queda nenhuma para a monogamia. É só andar atento à quantidade de relações que acaba, porque apareceu outro(a).

Mas por outro lado, será que gostamos da poligamia?



De antídoto a 24 de Outubro de 2007 às 09:25
Pode haver amizade, carinho e sexo com mais que uma pessoa, é aliás cada vez mais comum.


De Tasha a 24 de Outubro de 2007 às 10:43
"Ele: -Que tal irmos jantar e ao cinema? Depois podíamos esticar e vinhas dormir cá a casa...
Ela:- Desculpa Amor, mas já tenho esse programa para hoje à noite com o João... Podemos combinar isso para depois de amanhã... Há uma posição que não consigo fazer com ele, as costas... sabes como é..."
Esquisita, eu? Acho que não... prefiro a monogamia...
'... que não seja imortal (posto que é chama),
Mas infinito enquanto dure'


De antídoto a 24 de Outubro de 2007 às 12:08
Regra geral, quando se ama quer-se exclusividade.

Regra geral, as pessoas só se apaixonam por duas razões: por tudo e por nada.


De alma_transparente a 24 de Outubro de 2007 às 16:32
e querer exclusividade é querer demais?


De antídoto a 24 de Outubro de 2007 às 17:09
Todos são livres de viverem de acordo com as suas convicções.

Para 70% das pessoas, aquelas que afirmam já ter tido relações sexuais extraconjugais, parece que é querer demais.

Mas, como em tudo o que é humano, a maioria exige a exclusividade do outro, mesmo que dê umas voltinhas por fora.


De alma_transparente a 24 de Outubro de 2007 às 17:28
já disse que gosto de te ler!? ;)


De antídoto a 24 de Outubro de 2007 às 18:35
Se julgas que eu julgo que sabes que eu sei quem és... então já : )


De Tasha a 24 de Outubro de 2007 às 15:04
Desculpa discordar, de novo... ;-)
Mesmo sem amor, eu pretendo exclusividade. Mesmo q daqui dois dias já não esteja com o mesmo gajo (a vida é mesmo assim), custa-me pensar que vou dar um beijo em alguém que acabou de beijar outra. Troca de germes, de preferência, só com quem eu escolho... E para tirar a dúvida seguinte... Não, não sou muito adepta do One Night Stand... não condeno quem o faça, mas para mim não, obrigada...
Jinhos


De antídoto a 24 de Outubro de 2007 às 15:25
Não tens que pedir desculpa pelas tuas opções.

E, afinal, não divergimos assim tanto de opinião...


De Maria Moura a 24 de Outubro de 2007 às 22:58
Está explicado! Agora percebo porque certas pessoas envelhecem tão rapidamente.


De antídoto a 24 de Outubro de 2007 às 23:29
Deverei abrir uma loja de produtos ortopédicos? : )


De Anónimo a 25 de Outubro de 2007 às 14:20
Não terá a ver com a adrenalina cada vez que se tem uma paixão nova? convenhamos...o amor por mais amor que seja, é calmo e sereno. Não tem grandes piques....é confortável mas não é "a loucura". Já a paixão não, a paixão mete adrenalina, mete vontade de conquistar, de gritar bem alto que se quer aquela pessoa. Não sei....


De antídoto a 25 de Outubro de 2007 às 14:38
Também não sei, o que sei é que muita gente 'justifica' os seus actos e conflitos emocionais com a paixão e há muitos a apaixonarem-se a cada dois meses.


De pinky a 27 de Outubro de 2007 às 21:07
engraçado. a monogamia das mulheres até a pilula ser inventada, tinha uma explicação mt básica e simples, mt terra a terra.
Tudo a ver com os instintos animais que nos restam, com uam questão de sobrevivênvia da raça, e com os tempos em que as tribos guerreavam.
mas a explicação é mt longa.
é suf pensar só nisto:
1- qts seres pode uma mulher gerar por ano?
2. qts seres podem um homem gerar por ano.
3. em tempos de guerra, será preferivel deixar 20 homens a tomar conta "da casa" com 2 mulheres, ou é preferivel deixar 20 mulheres com 2 homens?.......


De antídoto a 27 de Outubro de 2007 às 21:45
A pergunta é para os homens ou para as mulheres?


De Anónimo a 12 de Maio de 2008 às 03:59
Amigos e amigas, tudo muito certo, mas agora tudo mudou. é igualmente emocionante tanto para os homens ou para a mulheres terem novas conquistas (não refiro a one night stand), o amor até rejuvenesce, e muitas vezes eles merecem, mulheres sozinhas em casa a cuidar dos filhos e da cozinha isso já passou, portanto mais cautela com as esposas em casa.


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