Sábado, 20 de Outubro de 2007
O Dr. *** é Juiz e uma das “forças vivas” da cidade, participando activamente em diversas associações de carácter beneficente.
 
É uma pessoa informal, boa conversadora e voluntariosa, mostrando-se sempre acessível e interessado, tanto profissional como socialmente.
 
Simpatizo bastante com o Dr. ***, que não via há mais de um ano.
 
Há duas noites atrás saí, a seguir ao jantar, para ir tomar um café e quem vejo eu? O Dr. ***.
 
Aproximei-me para o cumprimentar mas, verificando que estava a falar ao telemóvel, parei a uma distância razoável, para lhe permitir terminar a chamada.
 
Mas o Dr. ***  estava a falar bastante alto, quase a gritar.
 
- Ah não queres mais?
...
- E achas que basta dizeres?
...
- Eu devia era ter-te dado uns murros nessa tromba, que é o que tu precisas!
- Se as tivesses levado, se calhar ainda estávamos juntos, mas deixa estar que não perdes pela demora!
 
Afastei-me sem cumprimentar o Dr. ***  que nem deu por mim.
 
Conhecem-se as pessoas, conversa-se com elas e não há ninguém que não debite o politicamente correcto.
São todos gente fina e bem formada mas chega um momento de crise e, regra geral, vem ao de cima a verdadeira e obscura natureza de cada um.
 
Sou capaz de admirar os filhos da puta com personalidade para o afirmarem, esses mostram logo o que são. O que me deixa a ranger os dentes são a maioria de sonsos, demasiado cobardes para assumirem o que efectivamente pensam.
 
O mesmo Pierre Louys que mencionei no post de 12 de Outubro, tem uma frase significativa:
 
Começai pois por respeitar a hipocrisia humana a que também se chama virtude…
 
A frase está fora do contexto, o homem até era um contestatário dos costumes, mas uso-a para exemplificar o que continua a ser um lugar comum nas relações humanas que me irrita e de que maneira. 
.
É que o mundo está cheio de deformados mentais que usam, abusam e agridem durante e após o fim das relações amorosas. Que ignoram ou, pior ainda, usam os filhos como arma contra o objecto das suas frustrações e ódios.
Cada vez mais se noticiam  homicídios resultantes da incapacidade dos coitadinhos em aceitarem  serem deixados.
.
E essa gente vive entre nós, são pessoas aparentemente 'normais', algumas cheias de medalhas e exemplos de bons princípios.
.
Simpatizava bastante com o Dr. ***.
.
Música: Tom Waits - Little Drop of Poison

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antídoto às 22:09 | link do post | comentar

11 comentários:
De kruella a 20 de Outubro de 2007 às 23:50
Há muita gente que consegue manter uma aparência perante a sociedade e depois entre quatro paredes descomprimem a falsidade que lhes pesa na consciência naqueles que deviam apenas receber o seu bem querer! Há muitas histórias dessas por aí...infelizmente...para determinadas pessoas!


De antídoto a 21 de Outubro de 2007 às 21:17
POis é...


De OMelhorDasNossasIdades a 21 de Outubro de 2007 às 21:14
Pois...é mesmo assim...anda tudo camuflado!

E a tua influência transcende-me , uma música propositadamente pensada para o Sr.º Little Drop of Poison !?

Su


De antídoto a 21 de Outubro de 2007 às 21:19
Sim, foi só dizer ao Tom que tinha um blog


De Maria Moura a 21 de Outubro de 2007 às 22:06
São um verdadeiro perigo esses “deformados” como lhes chamas. Geralmente são uns grandes sedutores.

Quanto ao Tom, um amor esse gajo, tão prestável.
Acho que também lhe meto uma cunha. Será que resulta?


De antídoto a 21 de Outubro de 2007 às 22:26
Também os há no feminino.

Quanto à cunha, é melhor falares primeiro comigo


De In a 22 de Outubro de 2007 às 02:19
Só espero não entrar nuca para o clube dos cínicos...


De In a 22 de Outubro de 2007 às 02:20
não entrar "nunca" :(


De antídoto a 22 de Outubro de 2007 às 10:42
Isso já é outra coisa...

do Lat. cinismu < Gr. kynismós
s. m.,

fig.,
imprudente;
desavergonhado;
descarado;
impassível;

ant.,
pertencente a uma seita de filósofos gregos que desprezavam as fórmulas e conveniências sociais.

Eu pecador me confesso


De STAR a 22 de Outubro de 2007 às 12:22
Uma vez, um amigo disse-me: "Quando alguém avança para um processo de divórcio, separação, descobrimos que a pessoa com quem viviamos, se transforma noutra que nunca conhecemos."

E por tantas histórias que se ouvem por aí, cada vez mais, concordo com ele.


De antídoto a 22 de Outubro de 2007 às 12:29
esse é o exemplo mais comum.


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