Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007

Tinha o olhar ausente e uma expressão de tristeza profunda no rosto.

Aparentemente não se dava conta da chuva miudinha e dos salpicos trazidos pelo vento gelado, de cada vez que uma onda se desfazia nas rochas.

Pensava nele e na paixão que os unia, no amor incondicional que sentiam um pelo outro há já dois anos.

E rangia os dentes de raiva e revolta por não o poderem demonstrar livremente.

Não poderem assumir a relação estava a tornar-se problemático a todos os níveis.

Via os namorados na rua, de mão dada, a trocarem carinhos, a tocarem-se, a beijarem-se, a viverem livremente as emoções e sentia-se profundamente mal por não poderem, sequer, projectar no futuro uma vida normal, como qualquer ser humano.

Talvez chegasse o dia em que isso fosse possível, por enquanto nem pensar.

Viu-o a aproximar-se, com um sorriso aberto, e o seu mundo iluminou-se.

Pôs-se de pé, abraçaram-se e trocaram um beijo cauteloso.

- Estás bem, João?

- Nem por isso, Pedro, o mesmo de sempre…

.

Música: George Michael - Freedom

 


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antídoto às 16:47 | link do post | comentar

7 comentários:
De Dr.ª High Heels a 7 de Setembro de 2007 às 18:16
Pois é, meu caro, o silêncio instalou-se por aqui.
Somos todos tão modernos não somos? Mas falar sobre certos assuntos é que não dá jeito nenhum. O melhor é continuarmos a enfiar a cabeça na areia e fingirmos que não é nada connosco.

Freedom do George Michael foi uma óptima escolha!


De antídoto a 7 de Setembro de 2007 às 19:14
Não sei se será por isso, afinal de contas é muito fácil dizer o politicamente correcto.
A questão é que ficou tudo com uma dúvida terrível, será que afinal o gajo é gay??


De In a 8 de Setembro de 2007 às 02:18
Sim, é fácil dizer o políticamente correcto...
Francamente, ao ler o texto pensei apenas nas personagens do mesmo, que são gays, e não no autor...
Não sei porquê mas este é um assunto que me toca particularmente. Não me considero cínica e espero que a minha atitude perante este assunto não seja "paternalismo", mas sinceramente não sei...


De antídoto a 8 de Setembro de 2007 às 14:50
A minha posição é muito clara, há pessoas feias e bonitas, pretas, brancas e amarelas, marrecas e direitas, coxas e escorreitas, hetero, homo, bi e afins e, ainda, todos os outros imensos etcs.
É-me completamente indiferente, escolho os meus amigos pela personalidade, pelo carácter, pelo que são como seres humanos, tudo o resto é treta, preconceito, lixo.


De In a 12 de Setembro de 2007 às 01:42
Infelizmente existimos rodeados de lixo e estamos constantemente a tropeçar nele.
Eu só pergunto se podemos dizer que não temos nenhum preconceito mesmo. Honestamente não consigo dizer que não tenho. Sei que há muitos que não tenho e a sexualidade, seja ela qual for, é um deles.
Quanto ao resto não sei até que ponto o facto de se aceitar as pessoas na sua diversidade, só por si, será ausência de preconceito.
Mas... é difícil "trocar" ideias assim... assim sendo e para "simplificar" razões... direi que estou de acordo consigo...


De fábula a 10 de Setembro de 2007 às 19:53
mesmo assim acho que as mentalidades já vão mudando alguma coisa...


De antídoto a 11 de Setembro de 2007 às 10:38
Devagarinho


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