Sábado, 23 de Dezembro de 2006

A gente começa um blog e vai aprendendo coisas, de maneiras que começa aqui uma nova rubrica que é assim a modos que eu a dar-vos música.
E, desculpai excelências, mas é a música de que eu gosto, que me diz, ou disse, alguma coisa, que me toca cá dentro por algum motivo, seja a letra, a melodia, ou, mais prosaicamente, as memórias.
E, como já vou sendo um gajo antigo, começo por algo… antigo, naturalmente: Chico Buarque e Caetano Veloso, em “O Quereres”.
Longe de ser uma das mais conhecidas, tem uma letra que, há mais de 20 anos, me deixou ainda mais confuso sobre as razões dos encontros e desencontros amorosos (hoje continuo na mesma, mas, enfim, isso é outra estória...)

Ouçam, leiam e meditem no porquê de, mal conquistamos alguém, começarmos de imediato o meticuloso processo de tentar mudar, alterar, minar, aquilo que essa pessoa é.



O Quereres - Caetano Veloso

Onde queres revólver, sou coqueiro, onde queres dinheiro, sou paixão / Onde queres descanso, sou desejo, e onde sou só desejo, queres não / E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta, eu sou o chão / E onde pisas no chão, minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco, e onde queres romântico, burguês / Onde queres Leblon, sou Pernambuco, e onde queres eunuco, garanhão / E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês, eu não vislumbro razão / Onde queres o lobo, eu sou o irmão, e onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor

Onde queres o acto, eu sou o espírito, e onde queres ternura, eu sou tesão / Onde queres o livre, decassílabo, e onde buscas o anjo, eu sou mulher / Onde queres prazer, sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão / Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido, eu sou o herói

Eu queria querer-te e amar o amor, construirmos dulcíssima prisão / E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor / Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou / E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres romance, rock'nroll / Onde queres a lua, eu sou o sol, onde a pura natura, o inseticídeo / E onde queres mistério, eu sou a luz, onde queres um canto, o mundo inteiro / Onde queres Quaresma, Fevereiro, e onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre afim, do que em mim é de mim tão desigual / Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim / Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim / E querendo te aprender o total, do querer que há e do que não há em mim

P.S. Desculpem a forma, mas ainda ando a brigar com a porra das formatações f



antídoto às 22:51 | link do post | comentar

2 comentários:
De Flor a 12 de Junho de 2007 às 14:50
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor

LOOOOOL

p.s._ nunca sabemos para o que estamos guardados...


De Anónimo a 8 de Janeiro de 2007 às 02:52
LINDO !!!
Aonde andei eu estes anos...
Ou aonde andou a net nos meus tempos, em que tinha mais tempo???

Vou continuar a cuscar porque até estou a gostar....

(e ainda agora comecei)


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