Domingo, 6 de Maio de 2007
Toulouse-Lautrec (1864-1901), grande pintor pós-impressionista francês, afirmou um dia que “no mundo moderno tudo é arte e todos são artistas”.
O mundo moderno, para ele, era a segunda metade do século XIX (não confundir com XXX), e nem supunha o quão certo estava relativamente à evolução do conceito de arte.
A facilidade com que hoje nos podemos expressar e termos acesso a todas as formas de arte, é seguramente muito bom.
Mas, e há sempre um mas, faz-me alguma confusão a generalização e o eco exagerado que algumas ‘obras’, que para mim não passam de trabalhos manuais, têm junto aos ‘especialistas’, aos média e ao público em geral.
Basta a assinatura de um artista/autor consagrado para qualquer bosta subir às alturas, da mesma forma que, muitas vezes, uma obra genial de um desconhecido nunca deixa de ser invisível.
O comum dos mortais está mais virado para novelas. Se não lê, muito menos se interessa por pintura, escultura ou música clássica, só para dar alguns exemplos.
Mas os apreciadores, conhecedores, especialistas, críticos, peritos de arte, teriam outra obrigação de não se deixarem influenciar pelo acessório.
E vem isto a propósito de duas experiências:
- Uma televisão espanhola que pôs crianças de 2 anos a pintar um quadro e o expôs na mais importante feira internacional de arte de Espanha, onde conhecedores dissertam sobre a angustia existencial do autor;
- E um grande violinista, Joshua Bell, cujos concertos podem ser vistos nas melhores salas do mundo por cerca de 80 euros, a tocar no metro de Washington, em hora de ponta, sem que ninguém lhe dê atenção.
Os resultados dão que pensar.


antídoto às 17:07 | link do post | comentar

9 comentários:
De Yashmeen a 13 de Maio de 2007 às 01:24
O Toulouse-Lautrec é o meu pintor preferido. É fantástica a forma como retrata o ambiente "noir" do submundo parisiense dos cabarés.
Quanto à arte, já os dadaístas fizeram esse tipo de experiência. Uma sanita virada ao contrário foi impedida de entrar numa exposição, sendo agora considerada uma das mais geniais criações artísticas do início do séc. XX. Nunca conseguimos julgar um artista sem o devido lapso temporal. É preciso deixar passar o tempo e ver se realmente fez escola ou foi apenas "mais um".


De teresalex a 7 de Maio de 2007 às 15:57
Não podia deixar de comentar! O mês passado fui ao Centro de Arte Moderna, ver uma Instalação, de seu nome "Fundação" do "famoso" Pedro Cabrita Reis.
É difícil descrever o se passava na principal sala de exposições! De tijolos a cimento, passando por antigas estruturas metálicas, tubos de borracha e muito mais, tudo era possível encontrar. Isto é ARTE?
Já vi muitas outras instalações, algumas formidáveis, mas completamente vazia de conteúdo, como esta, não me lembro.
Dos comentários que li sobre a mesma, nem vos falo!

Agora, outro assunto...
Desde o xxx, que a referência à numeração romana, passou a ser uma constante. Hummmm...


De Mize a 7 de Maio de 2007 às 09:50
Sempre foi e sempre assim será. O mundo é moldado pelos ditos "opinion makers". E não é só o mundo da arte. A política, a moda...tudo! Na arte ainda é mais notório porque é um "mundo pequenino". Cabe efectivamente a cada um de nós, ser uma ovelha tresmalhada e se nos apetecer comprar um Francisco Laranjo, mesmo que o crítico ache que é 1 nojo, pendurá-lo na sala. ;-)


De Inês a 7 de Maio de 2007 às 00:57
Acho que não consigo definir o que é arte. Sei que tem de me emocionar, seja uma pintura, seja música. Há grandes obras primas que não me dizem absolutamente nada, e quadros de pintores ditos insignificantes que me emocionam. Em relação à música a mesma coisa.
É capaz de ser uma maneira um bocado primária de "apreciar" arte mas é a minha.
Em relação ao video sobre o quadro tem muito a ver com a carneirada que são algumas das pessoas que visitam estes eventos. Se está lá é porque é bom concerteza e então há que tentar arranjar umas explicações filosóficas e tal. Por acaso gosto de pintura abstracta e tenho pena de não ter uns sobrinhos que me façam uns quadros assim.
Quanto à música, tenho pena de não estar naquela cidade e não ter passado por lá nessa altura.


De antídoto a 6 de Maio de 2007 às 22:57
Ops, tens toda a razão, obrigado pela chamada de atenção.


De AEnima a 6 de Maio de 2007 às 22:32
era 19 que querias escrever? Este XIX? Porque IXX 'e um 9 e um 10... Fiquei confundida... nao consigo continuar a ler.


De antídoto a 6 de Maio de 2007 às 21:28
curiosa - Isso é compartimentar demasiado.

orquidea - É isso mesmo. O que me aflige é a incapacidade geral de ter opinião própria, somos um rebanho de papagaios... ou um bando de carneiros, como achares melhor : )


De Orquidea a 6 de Maio de 2007 às 20:39
Cheguei à conclusão que, definir o que é arte, é uma tarefa bastante complexa.
A definição que mais se aproxima, para mim, é: "Uma obra é arte se, e só se, provoca nas pessoas emoções estéticas".
Mas mesmo esta definição pode ser polémica porque nem todos sentimos igual e até podemos nem sentir nada perante um determinado objecto que, para outros, é uma obra-prima.
A única certeza é a incerteza. A noção de que algo tem carácter de arte varia no tempo, espaço e até, de pessoa para pessoa. Não me parece que os críticos possam ajudar... Anyway, a arte não é para ser criticada. É para ser sentida.
Se o quadro das crianças desperta emoções estéticas sinceras... é arte.
No caso do metro, as pessoas é que já se esqueceram de sentir ou pensam que há um lugar próprio para ir sentir (como se isso fosse possível!)

Beijos no Antídoto


De Curiosa a 6 de Maio de 2007 às 18:01
É por estas (e por outras) que não gosto nem me interesso, por pintura abstracta!


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