Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007
Esta é uma estória verídica.
Tinha ido a um bar com uns amigos e quando saímos, por volta da 1 da manhã, deparámo-nos com uma daquelas típicas noites de Inverno, com chuva batida a vento.
O Carlos ainda tinha que levar o João a casa, a cerca de 15 quilómetros da cidade e decidi ir com ele para lhe fazer companhia no regresso.
Não sabíamos ainda que o ribeiro tinha transbordado e cortado a estrada por onde circulávamos.
Naquele tempo não era bem como hoje, em que as cheias são comunicadas com antecedência e as estradas devidamente encerradas pelas autoridades.
Íamos relativamente devagar, fizemos uma curva larga à direita, entramos na recta e de imediato nos apercebemos da cheia, poucos metros à frente. O Carlos reduziu a velocidade e o carro aproximou-se devagar da água. E de repente TUM, uma batida seca e um vulto pelo ar.
Ficámos sem saber exactamente o que tinha acontecido, ninguém tinha visto nada.
Saímos do carro a correr, vimos uma motorizada caída e, meio metro para lá da zona seca, um homem a estrebuchar, de barriga para baixo e a cara dentro de água.
Nem pensámos duas vezes, corremos para ele, pegámos no senhor e trouxemo-lo para fora. Estava acordado, gemia, dizia coisas sem nexo e exalava um fedor a vinho tinto que era obra.
Tinha estado sentado na motoreta, de luz apagada, a apreciar a cheia.
Ainda não havia telemóveis, batemos à porta de uma casa próxima e pedimos para ligarem para o 115, hoje 112.
Ficámos à espera da ambulância e, entretanto, foram chegando mais carros e armou-se o estendal do costume.
Finalmente lá chegaram os bombeiros e a GNR.
A essa altura já o nosso ébrio andava, cambaleante, a contar a aventura a toda a gente, pelo que tiveram que pegar nele e sentá-lo para lhe tratarem das mazelas.
E foi nesse momento que perguntou em voz bem alta: - Então e o outro?
O outro??!! Havia outro??!!
Pânico, toda a gente começou desesperadamente à procura do outro.
Iluminados pelos faróis dos carros, ajudados por lanternas e isqueiros, vimos as valetas, entrámos na água barrenta, vasculhámos tudo, ninguém encontrou o outro.
O meu amigo Carlos já se imaginava com a vida destruída e apertava a cabeça entre as mãos, completamente desalentado, enquanto a GNR pedia reforços e projectores, via rádio.
Tiritavamos de frio e de nervos quando, de súbito, ouve-se o homem: - Ai, não! Afinal deixei-o lá atrás…
Tive que dar um salto e segurar o Carlos.
Mas não lhe tapei a boca...


antídoto às 18:57 | link do post | comentar

1 comentário:
De Diva a 23 de Janeiro de 2007 às 22:20
:))))

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