Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Nos anos 60, com o movimento hippie,  nasceu uma filosofia de vida que acabou por se disseminar, na sua essência, por todas as áreas das sociedades e tornar-se parte da cultura ‘principal’. Eles foram os precursores da liberdade sexual, da não-discriminação das minorias, do ambientalismo, da igualdade, da não-violência, até do misticismo actual. Celebravam a vida e o amor.

 
Hoje, no ano 8, vivemos uma filosofia de vida que exalta o "deus" que existe dentro de cada um de nós, o "Eu", a fuga de padrões pré-estabelecidos para a criação dos nossos próprios padrões, numa palavra, o individualismo.
As pessoas são medidas e admiradas pelo seu poder, pelo seu sucesso, pelo carro que guiam, as marcas que vestem, o relógio que exibem e tudo se resume a ajudar quem nos ajuda e a desprezar, nem que seja pela indiferença do esquecimento, os que não são dignos da nossa ‘estima’, em vez de fingirmos que nos preocupamos com eles.
Importa-nos pouco o outro, a não ser na medida em que serve os nossos desejos, emocionais, carnais, financeiros ou outros.
Vivemos para a essência da vida e não para fúteis sonhos espirituais, para a vingança e não para dar a outra face, para o ‘eu quero’ e não para os ‘vampiros psíquicos’.
Adoramos todos os denominados pecados, uma vez que todos nos dão gratificação física, mental e emocional!
Enfim, vivemos para  a satisfação dos nossos desejos inatos e só nos  conformamos com os desejos dos outros quando, em última análise, isso nos vai beneficiar.
Somos como crianças pequenas que não se privam dos seus desejos mais naturais e que fazem tudo para conseguirem o que querem em cada momento.
Se pensarmos bem, nada disto é estranho ou criticável, antes algo intrínseco ao ser humano consciente e inteligente.
Não fossemos nós corrompidos pela moral, hipocrisia, estupidez e escravidão do mundo que nos rodeia e manteríamos o egoísmo da pureza original.
 
É triste mas parece-me que para lá caminhamos.
 
 
P.S. Há uma associação que defende este estilo de vida, se alguém se reviu no que leu pode saber mais aqui.
 
 


antídoto às 19:51 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Respeito e admiração por um homem que se tornou, talvez, na maior referência do que é ser-se jornalista.

 

Um grande senhor.

 

 

Imaginem 

Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados.
Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.
Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.
Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.
Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.
Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.
Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.
Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.
Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que País podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que País seremos se não o fizermos.

 

 

 



antídoto às 10:52 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

 

A forma como sentimos a arte depende sempre do nosso estado de espírito no momento.
 
Se estamos fragilizados, apaixonados ou tristes, por exemplo, as emoções que nos assaltam ganham muitas vezes uma dimensão inesperada.

 

Mas o belo é sempre belo e há coisas tão envolventes que me deixam a ofegar.

 

Renato Zero / Momix - I migliori anni della nostra vita

 

Os melhores anos da nossa vida

Penso que cada dia é como uma pescaria milagrosa
E que é bonito pescar suspenso numa macia nuvem rosa
Eu como um cavalheiro
E tu como uma esposa
Enquanto no lado de fora da janela
Se alça em voo levantando a poeira
Uma tempestade
 
Será que nós dois somos de um outro distante planeta?
Mas o mundo daqui parece uma armadilha
Todos querem tudo apenas para depois descobrirem que é nada
Nós não faremos como os outros
Estes são e serão para sempre…
 
Os melhores anos da nossa vida
Os melhores anos da nossa vida
Abraça-me forte porque nenhuma noite é infinita
Os melhores anos da nossa vida
Abraça-me forte porque nenhuma noite é infinita
Os melhores anos da nossa vida
 
Penso que é maravilhoso ficar no escuro abraçado e mudo
Como pugilistas depois de um combate
Como os últimos sobreviventes
Talvez um dia descubramos que não nos perdemos nunca
E que toda aquela tristeza na realidade nunca existiu
 
Os melhores anos da nossa vida
Os melhores anos da nossa vida
Abraça-me forte porque nenhuma noite é infinita
Os melhores anos da nossa vida
Abraça-me forte porque nenhuma noite é infinita

Os melhores anos da nossa vida

 

 

 


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Sábado, 11 de Outubro de 2008

É conhecida a história de dois indivíduos que passeavam, durante a noite, num local desconhecido, quando, de repente, um deles cai no que parecia ser um buraco.

O outro muito aflito - Epá, magoaste-te?

- Não.

- Então porque é que não sobes?

- Ainda estou a cair.

 

Vem isto a propósito dos abismos desta vida e da tendência de muitos de nós para nos lançarmos repetidamente neles.

 

Sabemos que está ali, que sofremos de vertigens, que não queremos cair, mas, em vez de nos afastarmos, passamos a vida a piquenicar mesmo na bordinha e catrapum, lá nos magoamos.

 

Alguns aprendem com as quedas, passam a preferir as grandes planícies, os rios calmos, a sombra acolhedora, outros, muitos,  mantêm o circulo vicioso  que os impede de conquistar a serenidade interior e a felicidade possível, permane- cendo como que hipnotizados pelo olhar da serpente.

 

Abismos e serpentes existem por todo o lado.

 

Evito os primeiros e esfolo as segundas. Quando menos esperam.

 

 


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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Estava com saudades da chuva... gosto da chuva... espectáculo, o carro lavado à borla... a chuva é necessária... belo dia para as couves...

 

Fosga-se, a auto-sugestão não está a funcionar, merda prá chuva!

 

 

P.S.  Sim, quando estou na cama pode chover a cântaros.

 

 


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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

 

Em Agosto de 1967 é editado The Piper at the Gates of Dawn, primeiro álbum dos Pink Floyd, uma das mais importantes e influentes bandas de todos os tempos.
Julho de 1994, Lisboa, Estádio José Alvalade, 120 mil pessoas, Pink Floyd, talvez o melhor concerto da minha vida.
Setembro de 2008, morre Richard Wright, compositor, teclista e vocalista dos Pink Floyd.
 
--
 
Filmes como Gata em Telhado de Zinco Quente, Dois Homens e um Destino ou  A Cor do Dinheiro.
Dez nomeações para o Óscar de melhor actor.
Activista político nos anos 60, Richard Nixon chegou a declarar que ele era o seu 18º maior inimigo.
Apaixonado pelo automobilismo, ganhou as 24 horas de Daytona em 1975, já com 70 anos.
Verdadeiramente dedicado a causas sociais e, chiça, casado com a mesma mulher durante 50 anos.
Setembro de 2008, morre Paul Newman, um homem que provou que se pode estar verdadeiramente vivo até aos 83 anos.
 
E assim vão desaparecendo os marcos da minha juventude... 
 


antídoto às 12:35 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

 

Em si mesmo indefinível.
 
Mas, para mim, está bem assim:
 

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