Quarta-feira, 28 de Março de 2007
Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma óptima posição no ranking das virtudes, o facto é que o amor ainda lidera com folga.
Tudo o que todos querem é amar e ser amados, mesmo que os racionais e/ou desiludidos afirmem o contrário.
Apesar da evolução dos costumes, da emancipação feminina e da cada vez maior liberdade sexual, creio que, consciente ou inconscientemente, aquilo a que todos aspiram é encontrar alguém que faça bater forte o coração, justifique loucuras, nos faça entrar em transe, fazer figuras ridículas, cair de quatro, revirar os olhos, rir à toa, cantarolar o dia inteiro e sentir aquela felicidade transbordante que a paixão nos transmite.
Há milhentas definições do que é a paixão e o amor, poéticas, filosóficas, cientificas e sei lá eu que mais. Mas encontrei um escalonamento que achei interessante e que, na minha opinião, define melhor a actual ambiência social, as diversas personalidades e correspondentes formas de amar, ou seja, a Lógica da Paixão.
Eros - É a paixão romântica dos poetas. Envolve forte atracção física e desejo sexual. Acontece de repente e pode terminar de modo abrupto. O apaixonado não consegue controlar esse sentimento intenso e irracional e, segundo uma pesquisa efectuada o ano passado em Itália, gasta no mínimo 4 horas por dia a pensar no ser amado. Quem experimenta essa sensação inebriante não mede consequências. Só uma coisa importa: ser correspondido. Este é o amor presente em nove de cada dez filmes de Hollywood.
Ágape - Em grego significa altruísmo, generosidade. A dedicação ao outro vem sempre antes do próprio interesse. Quem pratica este estilo de amor entrega-se totalmente à relação e não se importa de abdicar das próprias vontades para conseguir a satisfação do ser amado. Investe constantemente na relação, mesmo sem ser correspondido. Sente-se bem quando o outro demonstra alegria. No Limite é capaz até mesmo de renunciar ao parceiro se acreditar que ele pode ser mais feliz com outra pessoa.
Mania - Quem já experimentou uma ligação amorosa do tipo montanha-russa, um dia nas nuvens e outro no fundo do poço, conhece o estilo Mania. É a paixão obsessiva e ciumenta. O indivíduo acha sempre que não é amado tanto quanto ama. Requer provas de amor inesgotáveis e é capaz de loucuras para chamar a atenção do ser amado. Tem tanto medo do abandono que o parceiro acaba indo embora de verdade. "Mania é o lado escuro de Eros", define a psicóloga Americana Irene Frieze, da Universidade de Pittsburgh.
Ludos - Em Ludos o amor é uma brincadeira que muitas vezes se limita a uma única noite. O desafio da conquista é mais atraente do que a pessoa que se tenta seduzir. O conquistador evita os compromissos. Pode cultivar mais de uma relação ao mesmo tempo. Mesmo quando a ligação é duradoura, ele procura encontros fugazes durante o mesmo período. Se gosta de sexo mas nunca, ou raramente, se apaixona, ou se tem uma paixão nova a cada duas semanas, o seu tipo pode ser Ludos.
Storge - Certos romances começam de uma maneira tão gradual que os parceiros nem sabem dizer quando. Histórias assim enquadram-se no estilo Storge, nome da divindade grega da amizade. A atracção física não é o principal. Nada de noites incandescentes. O que conta é a confiança mútua e os valores partilhados. Os românticos desprezam esse tipo de ligação. Mesmo assim, nas pesquisas, os amantes do tipo storge revelam satisfação com a vida afectiva.
Pragma - Como o próprio nome indica, é o estilo dos pragmáticos, de quem dá prioridade ao lado prático das coisas. O indivíduo avalia todas as possíveis implicações antes de embarcar num romance. Se o namoro aparenta ter futuro, ele investe. Se não, desiste. Cultiva uma lista de pré-requisitos para o parceiro ou parceira ideal e pondera muito, antes de se comprometer. Procura um bom pai ou uma boa mãe para os filhos, leva em conta o conforto material e está sempre cheio de perguntas. O que será que a minha família vai achar? Se eu me casar, como estarei daqui a cinco anos?

Cá para mim Ludos e Pragma estão a ganhar a corrida, verdade?
Maria Rey – Piensa en mí

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antídoto às 14:46 | link do post | comentar

6 comentários:
De antídoto a 29 de Março de 2007 às 23:55
Kruella - Eros, sim, é bom.

Isabel - É um tema antigo, com muita gente a interpretá-lo.
E tens razão, há milhentas formas de relacionamento e muitas são apenas aproximações, tipo ludosinhos, pragmasinhos, etc

p.m.a. - Com tanto maluco(a) que anda por aí o que há mais é formas de amar.

Mize - Fluir, fluir, fluir? Hummm... acho que vou experimentar...

Marisa - É claro que não há compartimentos fechados, mas muita gente tem caracteristicas de personalidade mais próximas de um deles.
Espero continuar a dar-te prazer : )


De marisa a 29 de Março de 2007 às 12:24
que músicas fantásticas se encontram por cá, belissimo gsot musical, parabens!
Ora o amor propriamente dito, é engraçado, nunca tinha visto o sentimento deste prisma, e confesso qeu tenho alguma dificuldade me inserir-me num destes paramentros, sentirei talvez um pouco da cada um deles, serei talvez uma romantica contida, uma lirica racional, uma apaixonada essencialmente pela vida...
Adorei, é un vero piacere passar cá...


De Mize a 29 de Março de 2007 às 11:27
Com que então há receita e nao me tinham dito nada. E, eu a pensar q era só fluir, fluir e fluir e afinal é preciso pesar, amassar e deixar levedar :-)


De P.M.A a 29 de Março de 2007 às 02:10
Se assim é nos nossos dias é uma pena... Porque um Amor verdadeiro sé pode ser Eros, ou mesmo Ágape... Nao existe outra forma de AMAR verdadeiramente!


De Isabel Neto a 28 de Março de 2007 às 20:57
Fico com pele de galinha quando oiço a Luz Casal cantar este tema. Mas também gostei desta versão.

Interessante esta catalogação... porque será que me identifico aqui e ali com qualquer coisa em todas elas?

De facto, nem tudo está assim tão diferente... o amor é um produto do romantismo e uniões por interesses "palpáveis" sempre existiram. Mas acredito, porque sim, em milhentas outras formas de relacionamento que não são nem ludos, nem pragma, nem qualquer outra aqui descrita.


De Kruella a 28 de Março de 2007 às 20:05
Hummm...sim...com destaque para pragma...acho!
Mas nada como um Eros para nos sentirmos vivos hã?


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